SOCIEDADE
 
Alunos e professores de Arouca: aulas a partir de casa
 
José Luis Alves, Lurdes Nogueira, Elisa Pinho e Carlos Mendes
Testemunhos sobre o momento actual que se vive e as alterações nas rotinas escolares
 
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Com a suspensão das aulas até, pelo menos, ao dia 9 de Abril, devido ao surto pandémico provocado pelo vírus Covid-19, professores e alunos tentam adaptar-se à nova realidade.
As duas principais editoras escolares - Porto Editora e Leya - já disponibilizaram gratuitamente o acesso aos seus recursos didácticos através dos seus 'sites'.
Os agrupamentos escolares tentam utilizar várias estratégias através do ensino à distância para que os alunos não fiquem atrasados nas diferentes aprendizagens.
Em Arouca, o RODA VIVA pediu um testemunho a dois docentes de escolas do concelho - José Luís Alves, professor de Biologia do Agrupamento de Escolas de Arouca, e Elisa Pinho, professora de Geografia do Agrupamento de Escolas de Escariz - sobre o momento actual que se vive e que alterações tiveram que fazer na sua rotina enquanto educadores. Os dois docentes, naturais do concelho de Arouca, são também pais de estudantes de vários níveis de escolaridade.
Para além dos professores, escutou-se também os dois presidentes das Associações de Estudantes (Arouca e Escariz), respectivamente Carlos Mendes e Lurdes Nogueira, alunos do 12º ano, tendo ambos manifestado as suas preocupações pelo momento delicado que atravessamos e as mudanças que tiveram que operar no seu dia- a- dia. Estes dois jovens vão ser sujeitos a exames nacionais de acesso ao ensino superior. JCS 2020-03-17

JOSÉ LUIS ALVES: «A decisão acertada do encerramento das escolas, criou um contexto único no país e nas instituições educativas nacionais. E se o encerramento foi previsível, já a sua reabertura é imprevisível. Perante este panorama, mediante a expetativa da evolução da pandemia provocada pelo Covid-19, do pré-escolar ao ensino universitário, discutem-se as metodologias e as medidas pedagógicas que deverão ser adotadas, de modo a mitigar o irreversível prejuízo educativo.
Uma vez que a interrupção forçada das atividades letivas, nada tem a ver com férias escolares, é essencial que alunos e encarregados de educação se consciencializem que durante este processo, terá de existir uma componente de trabalho autónomo acrescida.
Dado que o ensino à distância está distante de ser ensino na generalidade das Escolas, é importante que os alunos, com a supervisão dos encarregados de educação, acedam diariamente ao seu e-mail e à página eletrónica do Agrupamento Escolar que frequentam, de modo a manterem-se a par de orientações da Direção ou eventuais tarefas que sejam solicitadas pelos professores. Paralelamente, principalmente os alunos que, em princípio, realizarão exames nacionais de acesso ao ensino superior, devem recorrer a alternativas que algumas editoras escolares disponibilizam gratuitamente neste período, nomeadamente a "escola virtual" (escolavirtual.pt) e a "aula digital" (auladigital.leya.com). Esta é uma oportunidade única, que não deve perder-se, para aceder a recursos interativos, vídeos, animações e testes, de todas as disciplinas, que permitirão consolidar as aprendizagens efetuadas até ao momento e avançar com matérias que ainda não tenham sido lecionadas.
Em complemento com estas tarefas, aconselho os alunos que irão realizar exames nacionais, a praticarem a resolução de exercícios, recorrendo a exames nacionais de anos anteriores, que podem facilmente ser obtidos no endereço eletrónico "iave.pt". Após a realização dos exercícios, podem confrontar as respostas com as soluções.
Atualmente, são inúmeras as opções online de recursos educativos gratuitos que os alunos podem e devem recorrer nesta fase.
Finalmente, e dado que os exames nacionais do ensino secundário contemplam o programa de dois ou três anos de escolaridade, aconselho a revisão de assuntos de anos letivos anteriores de modo a integrar o mais possível as diferentes matérias e a atenuar o trabalho que tenderá a acumular-se no final do ano lectivo.
É claro que, haverá alguns alunos que, por não terem acesso à internet, poderão encontrar alguns constrangimentos no desenvolvimento deste tipo de atividades, pelo que, por exemplo, as Juntas de Freguesia, poderão ter um papel fundamental no apoio a estas situações.
Tenho a perfeita consciência que só uma parte dos alunos e encarregados de educação se preocuparão com todo este contexto de indefinição educativa, no entanto, serão esses que estarão mais próximos de colher os frutos que podem agora semear.
Enquanto isso, cumprindo as normas definidas, aguardemos que a tempestade passe».

ELISA PINHO: «Vivemos tempos difíceis, que exigem, de todos nós, resiliência e união.
Desvalorizámos as informações que nos chegavam da China, achávamos que o vírus não chegava até nós, provavelmente por considerarmos que Portugal, no extremo sudoeste da Europa, ficaria demasiado distante do flagelo que assolava o país mais populoso do mundo. Pois... enganámo-nos, chegou cá! Chegou e ninguém está imune, atinge todos, não escolhe raças, nacionalidades, situação económica, idades ou género. Todos são suscetíveis, ainda que alguns sejam mais vulneráveis e, aqui, os mais idosos e/ou com outros prolemas de saúde têm problemas acrescidos.
As escolas são espaços de conhecimento, de partilha, de convívio e de sensibilização e o Agrupamento de Escariz, onde sou professora de Geografia, cumpriu todas estas funções com o intuito de salvaguardar o bem-estar de todos. De salientar, a rapidez com que foi criado um Plano de Contingência, que envolveu uma equipa que trabalhou incansavelmente. Assim, enquanto decorriam as atividades letivas, todos os docentes, sem exceção, sensibilizaram e alertaram para a necessidade de se cumprirem as orientações emanadas da Direção Geral de Saúde. Na última semana foi tema obrigatório dos Diretores de Turma e demais professores.
A suspensão das atividades letivas aconteceu, como alguns o previam, e visa a contenção da já declarada pandemia, mas não significa férias, não significa que os agentes educativos tenham descurado das suas obrigações. O trabalho com alunos continua e a capacidade de adaptação dos professores e alunos é surpreendente. Hoje, dia 17 de março, terça-feira, dou conta que todos os docentes já dominam as plataformas de trabalho à distância. Recorremos à Plataforma da Escola, a Microsoft Teams, para enviar tarefas aos alunos e para reuniões de professores. Através deste meio, os alunos tiram dúvidas, definimos tarefas e marcamos aulas e reuniões por vídeoconferência. E desta maneira, temos entrado nas casas uns dos outros, sem qualquer risco para a nossa saúde! As editoras têm também ao nosso serviço outras plataformas que têm facilitado a partilha de tarefas e atividades com os alunos, nomeadamente a Escola Virtual e a Leya. Acrescente-se ainda que o final do período está à porta e muitos de nós estão também a corrigir testes e outros trabalhos e a preparar as avaliações de final de período. Realmente, desengane-se quem acha que estamos em casa de férias. E para além de estarmos ainda a trabalhar, temos também em casa os nossos filhos, no meu caso 3 meninas com menos de 12 anos que necessitam de mim.
Os alunos que fazem exames nacionais são os que exigem de nós mais atenção, uma vez que é o futuro deles que está em jogo, nomeadamente a entrada na faculdade, e são eles que revelam mais ansiedade face à situação. Por telefone, por e-mail e por whatsapp, temos tentado apaziguar estes receios e estes medos, garantindo que os seus interesses sejam sempre salvaguardados.
Estes são realmente tempos difíceis e o Agrupamento de Escolas de Escariz, à semelhança de todas as outras escolas do país, tem procurado criar condições de trabalho para todos, transmitindo serenidade a toda a comunidade educativa, onde a preocupação maior é, sem dúvida, a saúde e o bem-estar de todos nós».

CARLOS MENDES: «Os tempos não estão fáceis! Passamos, neste momento, por um período de incerteza onde ninguém sabe o que se segue nem quando tudo irá regressar à normalidade.
De norte a sul do país não há ninguém indiferente a esta situação. Uns mais, outros menos preocupados e ansiosos com tudo o que se passa à sua volta, mas todos têm noção de que aquilo que se aproxima não será fácil para nenhum de nós, mas principalmente para aquelas pessoas que se inserem nos grupos de risco.
Para nós, jovens, este vírus é uma ameaça, sim, no entanto, na maioria dos casos, os mais velhos é que estão associados a estes grupos de risco e, para podermos ajudar, temos de cortar o mal pela raiz e não deixar que este vírus se continue a propagar causando ainda mais danos.
Somos os mais "imunes" a este mal mas também somos o seu maior meio de transmissão e, portanto, se queremos proteger aqueles que amamos, devemos ser os primeiros a agir e tudo que podemos fazer por agora é seguir as recomendações da Direção Geral da Saúde. Devemos lavar frequentemente as mãos, tossir ou espirrar sempre para o braço, evitar tocar na cara, e, essencialmente, NÃO SAIR DE CASA.
Enquanto jovens, a nossa missão é proteger-nos uns aos outros, mas, principalmente, proteger aqueles de quem gostamos e que estão mais débeis que nós. A nossa tarefa começa neste ponto, a prevenção, tua e dos que te rodeiam.
Não saias de casa! Aproveita para estudar aquela última matéria que deixaste acumular, faz uma seleção da roupa que já não utilizas e doa-a para fazeres alguém que precisa mais do que tu feliz, põe em dia as tuas séries e filmes preferidos, lê um livro (aquele chato que tens mesmo de ler para português), faz exercício no jardim...
Com a colaboração de todos e se mantivermos a esperança, em breve retomaremos as nossas rotinas diárias - trabalho, escola e lazer. Porque somos todos responsáveis, é a hora de cumprir as orientações e optar pelo isolamento social».

LURDES NOGUEIRA: «Chamo-me Lurdes Nogueira tenho 17 anos, frequento o 12ºano no curso científico humanístico de ciências e tecnologias e sou, ainda a atual Presidente da Associação de Estudantes da Escola Básica e Secundária de Escariz.
Dada a situação em que se encontra atualmente Portugal e o mundo pela ocorrência e propagação do Corona vírus, o decorrente fecho dos estabelecimentos de ensino e de locais destinados ao convívio de cidadãos, foi-nos aconselhado o isolamento para que o contágio fosse cada vez menos uma realidade. No entanto, a obrigação de permanecermos em casa que nos foi proposta tem um grande impacto a vários níveis, nomeadamente para nós jovens.
De forma pessoal, a necessidade de manter constantemente uma vida ativa dentro de tais limitações leva-me muitas vezes a um estado de ansiedade que me faz sentir frustrada, logo decidi fazer uma organização mais eficaz do meu tempo de forma a atingir todos os meus objetivos e assim evitar que toda a minha vida pare devido ao vírus. Do ponto de vista escolar, neste momento encontro-me a assistir a aulas online, realizar vários trabalhos e a preparar-me de certa forma para os exames nacionais que são realizados no fim do ano letivo. Na minha opinião a nossa estabilidade psicológica e emocional não depende somente da escola, sugiro que se mantenham ativos a nível físico, façam caminhadas ao ar livre, exercícios em casa com os materiais que têm disponíveis, de forma geral exercitem o corpo para ajudar a manter a mente sã. Por outro lado, aproveitem este isolamento para fortalecerem as relações com a vossa família, realizem actividades em conjunto, aproveitem agora o que não conseguem aproveitar na correria do dia a dia.
Por fim, gostaria de salientar a importância de se manterem em isolamento social para que, desta forma, o vírus não tome repercussões maiores e que mais rapidamente possamos voltar á rotina. Mantenham-se informados e tomem as devidas precauções».

 
Arouca

Quarta, 24 de Junho de 2020

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"É possível o regresso do PSD ao poder em Arouca, com um candidato carismático, agregador, com o foco no desenvolvimento"

Alda Portugal, deputada municipal, em entrevista ao RV

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