A Biblioteca Municipal de Arouca recebeu a primeira exposição de trabalhos do arouquense José Luís Moreira Gonçalves – artista plástico, pintor e desenhador. “Geografia do Sentir”, assim se intitula o conjunto de 21 obras de Jota G patentes, de 6 a 31 de Julho, naquele espaço municipal. «Sempre quis que a minha primeira exposição acontecesse em Arouca», confessou o artista emigrante em França e hoje residente na freguesia de Tropeço. Profissional com formação nas áreas da terapia, da hipnose clínica e da psicanálise, José Gonçalves só nos últimos três anos assumiu intensamente a criação artística, na sequência de um percurso que começou muito cedo enquanto designer paisagista e jardineiro, áreas onde, refere, «desenvolveu sensibilidade estética, conhecimento profundo da natureza e técnicas de representação.»
Uma viagem fortemente emocional
Pesquisador da complexidade dos meandros da mente humana, Jota G procura combinar harmoniosamente abstração emocional e expressão figurativa. «Esta exposição representa uma viagem emocional da minha experiência de vida e também de terapeuta. Busco o equilíbrio entre o caos e a ordem e sobretudo a mensagem da esperança de sempre sair de uma situação difícil. Escolhi cores predominantes do Arouca Geopark, o conforto de estar em casa, onde a gente sente um bem-estar, podendo esquecer a rotina dos seus problemas. Essa é outra dimensão desta exposição, pois é forte a minha ligação emocional à terra de Arouca», disse o autor cuja criatividade foi ganhando força em muitas dezenas de trabalhos compostos por diferentes materiais e técnicas, obras que se foram acumulando em casa e longe dos olhares do público e que só agora o arouquense ousou partilhar após criteriosa selecção.

A arte que transforma, a energia que conecta
«Sempre tive muito amor pela arte. Cresceu a cem por cento desde que, de França, regressei a Portugal por razões de doença do meu pai. A arte é uma terapia. É uma conexão consigo mesmo. Ao mesmo tempo abre portas para a conexão de cada um ao olhar para ela como peça terapêutica e dimensão artística», explicou. «É para mim uma alegria partilhar com o público e em Arouca esta minha experiência artística que é também a minha experiência de vida», sublinhou ainda o artista arouquense.
«A arte que transforma, a energia que conecta». Esta é a ponte comum às 21 pinturas expostas na galeria municipal, onde o visitante tem ao seu dispor um utilíssimo e detalhado guião descritivo (em língua portuguesa, francesa e inglesa) dos recursos e do significado de cada uma das obras, deixando, contudo, ao espectador, a liberdade da fruição e da interpretação.
A busca de uma luz interior que guie o caminho
Liberdade emocional, luz interior, imaginação, inconsciente, introspeção, memória e energia emocional, existência, criação e transformação, resiliência, encanto, esperança, alegria… são conceitos que constroem o «mapa emocional» da arte agora patente ao público: «um percurso entre o caos e o equilíbrio, a sombra e a luz, a dor e a renovação». Jota G apresenta-se como «transformador de emoções, memórias e estados terapêuticos em obras vibrantes, intensas e repletas de significado.» Foi também dessa forma genuinamente vibrante e intensamente emocional que o autor arouquense se apresentou na relação com as obras e com o público que acorreu à inauguração do evento cultural, institucionalmente apadrinhado pela vereadora da Cultura, Cláudia Oliveira, e pela coordenadora da Biblioteca Municipal, Isabel Bessa. MMS/RV
