Promessas em palco, obras fora de cena

No início de julho de 2025, em plena aproximação ao ato eleitoral autárquico, a Presidente da Câmara apresentou nas redes sociais do município, com assinalável aparato mediático, duas intervenções para a freguesia de Escariz. Com recurso aos serviços de comunicação pagos por todos, fomos brindados com conteúdos visualmente apelativos, quase cinematográficos, que anunciavam um futuro de progresso iminente.

Por um lado, a consignação da empreitada de construção da via de ligação do Rossio/Nó de Escariz (2.ª fase), com um investimento superior a 440 mil euros e prazo de execução de 12 meses, apresentada como peça-chave para o desenvolvimento económico e industrial do concelho. Por outro, a empreitada de pavimentação e infraestruturas viárias na Rua do Outeirinho Redondo, na Zona Industrial das Lameiradas, com um prazo de execução de quatro meses, aprovada em reunião de Câmara a 1 de julho.

As palavras foram fortes, as imagens convincentes e o calendário, curiosamente, coincidente com o período pré-eleitoral. Tudo parecia alinhado para transmitir eficácia, dinamismo e obra feita… ou, pelo menos, prestes a ser feita.

Contudo, passados nove meses, a realidade no terreno levanta sérias dúvidas. As imagens atuais mostram uma ausência quase total de intervenção visível [foto de capa: Ligação do Rossio à variante da Abelheira à A32]. As máquinas, que marcaram presença durante o período de campanha, desapareceram pouco depois das eleições, como se tivessem cumprido apenas um papel cénico. O que era apresentado como um compromisso concreto parece hoje mais próximo de uma encenação cuidadosamente planeada.

Importa, por isso, questionar: estamos perante atrasos justificáveis, próprios da complexidade das obras públicas, ou perante mais um caso de promessas inflacionadas em tempo eleitoral? 

A transparência exige mais do que publicações bem produzidas, exige acompanhamento, explicações e, sobretudo, resultados.

A população de Escariz, e do concelho de Arouca, merece respostas claras. Porque entre o anúncio e a execução vai uma distância que não se mede em metros de estrada, mas em credibilidade política. AF

Imagem da Rua do Outeirinho Redondo

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