Dois anos e meio depois de ter prendado o público com uma grande exposição no Museu Municipal de Arouca [Agosto de 2023], o pintor arouquense Carlos Belém está de volta ao contacto com os espectadores, agora na Biblioteca Municipal de Arouca. A abertura da nova exposição do artista plástico residente na vila de Arouca decorreu no passado sábado, 21 de Março, no âmbito da inauguração das obras de requalificação da Biblioteca Municipal, cerimónia que foi presidida pelo Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos [foto]. Constituída por uma dezena e meia de trabalhos, a exposição assume-se como uma retrospectiva que convida a novas leituras e reinterpretações estéticas. O autor volta a revelar-se no gosto por telas de cores vivas, mas nunca neutras, pejadas de tom irónico, crítico e, por vezes sarcástico, sobre várias dimensões das vivências humanas.

«Sem ironia e crítica, eu não conseguiria acabar um quadro»
«A obra de Carlos Belém fala sobre muitas coisas, mas acima de tudo ela é uma alegoria sobre os tempos contemporâneos», refere o historiador e antropólogo arouquense Matos Rodrigues no prefácio à exposição. Talento inato, Carlos Belém cursou Artes Plásticas na Escola Soares dos Reis, prosseguiu a formação artística na instituição Árvore e a evolução superior na Escola de Ensino Superior Artístico do Porto, premissas de um percurso estético que se foi consumando em exposições individuais e colectivas um pouco por todo o país e no estrangeiro, nomeadamente na Espanha, França, Grécia, Irão e Rússia.
«A ironia, a crítica, até um certo sarcasmo. Sem isso eu não conseguiria acabar um quadro. Não quer dizer que aconteça em todos, mas é uma atitude muito frequente. Através da arte procuro resolver dúvidas. No fundo acho que ainda tenho dúvidas, gostaria de ter respostas. É algo que vem do subconsciente ou do inconsciente… há coisas que não sei explicar. Às vezes queria encontrar respostas para mim mesmo. Sobre “Eu”, o pintor. Há tanta coisa que me preocupa e isso vê-se nos meus trabalhos. O humor acaba por lhes dar algum equilíbrio» – um perfil já descrito pelo artista numa excelente entrevista então concedida ao RODA VIVA e que ainda hoje perdura nas concepções do pintor e cartoonista arouquense. MMS/RV
