Há um café na minha terra que não aparece em mapas, mas toda a gente sabe onde fica. Não pelo nome — que poucos usam — mas pelo som das chávenas a bater no balcão e pelas vozes que nunca se calam.
De manhã, é território dos mesmos de sempre. Falam de futebol, do tempo e das obras que nunca acabam. Há uma espécie de conforto nisso, como se repetir os temas fosse uma forma de garantir que o mundo ainda está no sítio certo.
À tarde, entram os mais novos. Telemóveis na mão, pressa nos passos, mas ainda assim param. Pedem um café curto, trocam duas ou três palavras, e seguem. Não ficam — mas também não deixam de vir.
E talvez seja isso que define este lugar: não é o café em si, mas a ponte invisível entre quem fica e quem passa. Entre o que muda e o que insiste em ficar igual. Jacinta Cunha