Eleições autárquicas: um ano depois

Passou na segunda-feira (dia 12 de Outubro) um ano sobre as eleições autárquicas que renovaram a maioria do Partido Socialista, liderado por Margarida Belém, no Município de Arouca.

Um ano volvido após o acto eleitoral, RODA VIVA pediu aos representantes dos partidos políticos para fazer um balanço da actividade autárquica.

Antes de emitir a minha opinião relativamente ao primeiro ano do último mandato de Belém, vou apresentar um conjunto de números alusivos aos resultados eleitorais das últimas três eleições municipais.

O primeiro dado que se pode extrair dos resultados autárquicos é que o Partido Socialista tem vindo num decréscimo eleitoral significativo.

Senão vejamos: Em 2017, o PS conquistou 8.220 votos; em 2021, alcançou 6.981 votos e em 2025, o score eleitoral fixou-se nos 6.631 votos. Ou seja, o partido perdeu 1.589 votos durante o consulado de Margarida Belém, o que corresponde a um quinto (19%) do seu eleitorado!

Em contrapartida, a coligação de centro-direita, liderada pelo PSD, tem vindo a aumentar o seu pecúlio eleitoral ao longo dos últimos escrutínios (2017 – 5.425 votos, 2021 – 5.726 votos e 2025 – 6.198 votos). No acto eleitoral de 2025 foi derrotada por um escasso número de votos (menos de 500).

Convém ainda sublinhar, contrariamente ao que aconteceu durante os três mandatos de Armando Zola e Artur Neves, em que ambos foram aumentando sucessivamente os resultados eleitorais ao longo das sucessivas eleições, Margarida Belém foi em sentido contrário, perdendo votação no decurso dos três mandatos autárquicos consecutivos.

Esta situação, na minha opinião, é ilustrativa de um certo cansaço por parte do eleitorado de um estilo de governação muito centrado na imagem da presidente e na excessiva propaganda que marcou fortemente a governação de Belém nos dois primeiros mandatos.

O executivo socialista tem feito um esforço neste último mandato para tentar corrigir a rota da governação para que a sangria eleitoral seja estancada e que haja possibilidades de crescimento de votos, por forma a evitar um desaire eleitoral em 2029, altura em que o PS terá que apresentar um novo candidato à autarquia.

Faltam três anos para o final da legislatura eleitoral e julgo que daqui a dois anos as duas principais forças políticas irão apresentar os seus dois candidatos.

Nessa altura, os fundos comunitários deverão ser mais escassos e poderemos estar perante uma conjuntura nacional e internacional muito complexa que obrigará a uma gestão autárquica muito diferente daquela que tem sido executada ao longo dos últimos anos.

O concelho de Arouca tem múltiplos problemas e desafios pela frente. Um dos mais gritantes é o envelhecimento acelerado da sua população e a “fuga” dos mais jovens para outras paragens mais dinâmicas em termos empresariais.

Associado ao envelhecimento da população, Arouca começa também já a sentir um despovoamento latente de várias parcelas do território com consequências nefastas para o futuro a nível social e económico.

O turismo, a grande aposta de Belém, é importante para o município, não o negamos, mas convém sublinhar que é um sector económico sazonal, de baixos salários e de mãode-obra pouco qualificada.

O preço da água em Arouca atinge valores proibitivos, num concelho com o poder de compra mais baixo da Área Metropolitana do Porto, situação que a autarquia nunca conseguiu ajustar com a empresa concessionária Águas do Norte, apesar de algumas promessas feitas neste sentido.

A execução do último troço da Variante seria também muito importante para o desenvolvimento do município, permitindo uma mais rápida ligação de Arouca ao litoral.

Estes são alguns dos desafios que Arouca tem pela frente nos próximos anos e que terão que ser enfrentados com realismo e pragmatismo para que Arouca não seja apenas um concelho que vale a pena visitar e desfrutar, mas que seja também uma terra com futuro para os arouquenses de hoje e das próximas gerações.

Uma nota final para a edição deste ano da Feira das Colheitas, para felicitar a Câmara Municipal pela excelente organização de um evento que não deixa ninguém indiferente pela qualidade do programa e a dinâmica criada em redor da festa, continuando a ser motivo de grande orgulho para todos os arouquenses.

Outros Artigos de Interesse

Opinião

Festival da Castanha de Arouca

PAULO TEIXEIRA: «Memória, Evolução e Reflexão Crítica sobre a Essência do Evento»
Opinião

O “velho” Casarão

ALEXANDRE DUARTE: «Envolto em grande mistério e em teorias da conspiração típicas de uma imaginação fértil como só os adolescentes têm»
Opinião

Como manter viva uma associação?

LARA PINHO: «Ganhámos em eficiência, rapidez e facilidade de organização, mas perdemos, pelo caminho, alguns dos pretextos que nos obrigavam a estar juntos»