Todos os arouquenses se recordarão do velho casarão, um edifício alto, de paredes brancas, com grandes janelas e que fez parte da história de todos aqueles que nas últimas décadas frequentaram o ensino escolar em Arouca.
Nem todos vislumbram este edificado da mesma maneira e isso ficou mais do que provado na inauguração das obras de requalificação levadas a cabo pela Câmara Municipal de Arouca. Ouvíamos, de um lado, pela voz de um professor de barbas já brancas que era ali, naquele local, onde recorria sempre que necessitava de imprimir ou fotocopiar documentos. De outro lado, escutavam-se relatos de quem naquele local fora em tempos aluna e agora professora, recordando que muitos sermões e ralhetes também ali foram passados aos alunos que se desviaram das regras de bom comportamento. Eram várias as histórias que se iam ouvindo e que, apesar de todas terem por objeto o “velho” casarão, ficavam patentes as diferenças geracionais e o papel multifacetado que o edifício foi assumindo ao longo dos tempos.
Talvez a minha geração tenha vivenciado a fase mais decadente e monótona do casarão. Aquela casa, a que nos permitimos chamar de “casarão” em virtude da sua magnificência, seria para nós uma infraestrutura envolta em grande mistério e em teorias da conspiração típicas de uma imaginação fértil como só os adolescentes têm. Questionávamo-nos do motivo pelo qual aquele edifício, tão imponente, se encontrava ali, no meio do recinto escolar da Escola Secundária de Arouca, permanentemente fechado, sem uso aparente e acerca do que poderia encerrar no seu interior. O casarão, outrora cheio de vida, tornara-se num espaço silencioso, vazio, triste.
Perante tal cenário de abandono e por ambicionar devolver àquele espaço a vivacidade de outros tempos, desenvolveu o Município de Arouca o projeto “Centro de Experimentação de Práticas Artísticas” cujo objetivo passaria por adaptar a antiga construção através de obras de requalificação para que ali se tornasse possível promover atividades de estímulo à criação artística, fundamentais à formação intelectual e cívica de crianças e jovens, correspondendo a um investimento aproximado de 732 mil euros. Não posso negar a satisfação que senti ao ver aquele espaço renovado, sentimento que me pareceu comum a todos aqueles que em alguma altura das suas vidas passaram por aquela casa.
Os jovens arouquenses podem agora contar com um novo espaço onde podem desenvolver as suas competências artísticas e, em simultâneo, pode o “velho”, agora “novo” casarão contar que estes jovens lhe devolvam a vida e a alegria que, em outros tempos, teve. Alexandre Duarte