Com a aproximação das eleições autárquicas, é com esperança que vejo alguns candidatos já a apresentar as suas candidaturas para o governo da minha freguesia natal, Alvarenga. Gostaria de conhecer as propostas de cada um, mas, enquanto isso, e numa perspetiva de participação cívica, quero partilhar algumas ideias que, sem qualquer pretensão, podem contribuir para o desenvolvimento da nossa comunidade.
Desde logo, proponho a criação de um Parque da Aldeia. As cidades dispõem de parques que oferecem lazer e convívio às suas populações; por que não termos também o nosso, nesta nossa aldeia? O local ideal seria o terreno da Junta de Freguesia, no Monte de Baixo, sobranceiro ao rio. Este espaço poderia incluir uma zona de estacionamento, que também servisse os visitantes da ponte, facilitando o acesso e promovendo a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida.
Se houver capacidade e vontade, sugiro que seja contratado um arquiteto de renome para desenhar o parque, como o Sidónio Pardal, autor do Parque da Cidade do Porto, de São João da Madeira, Ovar, entre outros. Assim, garantiríamos um espaço de qualidade, que valorize a nossa aldeia e promova o bem-estar de todos.
Outra iniciativa que considero importante, ligada ao ambiente, é a implementação de ações de voluntariado para a plantação de árvores autóctones, sobretudo junto ao Rego do Boi, desde o Espírito Santo até à Mãe de Água. Sugiro espécies como medronheiros, carvalhos, loureiros, azevinhos e aveleiras. Estas ações, das quais já participei, têm um forte valor pedagógico. Como dizia Cousteau, “só defendemos aquilo que amamos e só amamos aquilo que conhecemos”. Se os jovens não souberem identificar as árvores autóctones, dificilmente irão valorizar e proteger o nosso património natural. É fundamental que a educação ambiental seja uma prioridade, pois, como sabemos, os incêndios florestais podem ser prevenidos, em grande parte, através do conhecimento e do respeito pela natureza. É provável que a maioria dos portugueses não saiba sequer qual a árvore símbolo nacional.
Outra proposta que quero destacar é a sensibilização para a separação de resíduos e a redução da sua produção. Em média, cada português produz cerca de meia tonelada de resíduos por ano, muitos dos quais acabam nos aterros sanitários. É incompreensível que, numa aldeia onde quase todos têm quintal, ainda se encontrem restos de plantas, como relva, ramos ou feijoeiros debulhados, no contentor do lixo indiferenciado. É importante informar a comunidade de que a construção de um aterro sanitário requer pelo menos vinte hectares, projetados para durar cerca de quinze anos, mas que muitas vezes atingem a capacidade em menos de uma década. Ninguém quer aterros à porta de casa, mas poucos fazem o suficiente para evitar que sejam necessários.
Além disso, a matéria orgânica que normalmente se deita fora pode ser facilmente decomposta no quintal, enriquecendo o solo e evitando a compra de adubos ou composto. Uma iniciativa interessante seria a Câmara Municipal organizar visitas de munícipes a aterros sanitários, para que todos percebam a importância de reduzir, reutilizar e reciclar.
Estas ideias são apenas algumas sugestões que podem contribuir para uma Alvarenga mais sustentável, mais bonita e mais participativa. Espero que os candidatos as ouçam e as considerem na sua futura governação. Carlos Neves