A Câmara de Anadia assinou os contratos interadministrativos que prevêm a transferência de cerca de um milhão de euros para as dez uniões e juntas de freguesia do concelho de Anadia. in Diário de Aveiro (DA). “As Juntas de Freguesia do concelho de Espinho vão receber 1.373.925,83 euros, através dos contratos interadministrativos de delegação de competências com a Câmara Municipal”. in Diário de Aveiro (DA)
O tema da regionalização chegou novamente em força à agenda política na sequência da tragédia que se abateu sobre a zona centro do país, provocada pela tempestade Kristin. Vários autarcas e outros agentes políticos aproveita ram tempo de antena que a tragédia proporcionou para clamarem as virtualidades daquela reforma administrativa.
Felizmente alguns autarcas já começaram a dar o exemplo de como se deve e pode descentralizar competências e recursos para as freguesias dos seus concelhos para tornar a “máquina autárquica” mais eficaz e racional, tendo como fim último a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população. Dois desses bons exemplos vêm de concelhos do nosso distrito – Anadia e Espinho – como transcrevi na parte inicial do texto.
E em Arouca, como estamos de descentralização de competências e recursos da Câmara às Juntas de Freguesia? Será que há vontade política da autarquia de “abrir mão” de algum poder em prol dos presidentes das freguesias?
Como um dia me disse um ex-vereador socialista: “a Câmara de Arouca não necessita de três vereadores a tempo inteiro, não há trabalho para os três”… Talvez seja esta mais uma das razões para não se dar mais competências às freguesias.
Até porque se o trabalho de alguns vereadores já é pouco, com uma descentralização efectiva de competências o lugar de um deles ficaria, certamente, em perigo e tal situação seria uma chatice na harmonia e imagem de felicidade com que o núcleo duro do executivo municipal nos costuma presentear recorrentemente nas redes sociais!…
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A Câmara de Arouca vai gastar mais 800 mil euros na reconstrução, pela quarta vez, nos Passadiços do Paiva após outros tantos incêndios nos últimos anos. Fazendo fé em declarações públicas da Presidente da Câmara no rescaldo do último incêndio, parte dos 800 mil euros deverão vir da seguradora que contratou a apólice com a edilidade.
Questiono-me até quando os impostos dos arouquenses vão continuar a ser “consumidos” numa infra-estrutura turística que tem sido um sorvedouro de recursos em desfavor de outros espaços turísticos que têm ficado esquecidos nos últimos anos, nomeadamente a Serra da Freita.
Além de que as apostas em torno do próximo incêndio que vai voltar a danificar os passadiços aumentaram em grande escala… Basta fazer uma viagem pelas redes sociais e observar o optimismo de muitos internautas nessa franca possibilidade…
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A Biblioteca Municipal abriu portas após um longo período em que foi alvo de obras de renovação.
Visitei há pouco tempo aquele equipamento municipal, que faz parte das minhas memórias de infância pois frequentei aquele espaço na altura “jardim-escola”, nos idos anos 70 do século passado, e gostei do que vi.
Apenas faço um reparo, que já o enunciei em tempos, o horário de funcionamento não está adequado aos novos tempos, pois muitos arouquenses estão impedidos de o frequentar. Em concelhos vizinhos, as bibliotecas municipais funcionam em horário nocturno e aos fins-de-semana para poder abarcar ao maior número possível de frequentadores, porque, afinal, estamos a falar de um equipamento público que deve estar ao serviço de todos e não apenas de uma minoria.
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A Academia de Música de Arouca completou recente mente as bodas de prata. O seu papel no ensino da música A Biblioteca continua fechada aos fins-de-semana é de inegável importância para a educação no município de Arouca. Várias gerações de crianças e jovens passaram pela instituição ao longo dos últimos vinte e cinco anos, realizando ali uma formação de excelência.
Uma figura incontornável na vida e no sucesso da Academia de Música é sem qualquer dúvida Edgar Soares, o timoneiro desde a primeira hora, que agora se despede com emoção e com a sensação de dever cumprido.
Arouquense multifacetado que ao longo de várias décadas deu muito de si à causa pública merece a nossa homenagem pública pela seu dinamismo e humanismo demonstra do ao longo do seu longo trajecto, sendo uma referência no município e, sobretudo, na sua Alvarenga de coração. Bem haja, Edgar Soares! José Carlos Silva