Clarks, FC Arouca e Recriação Histórica

Estamos em Junho, o ano escolar chegou ao fim, vem o período dos exames nacionais; também a temporada desportiva nacional findou mas temos agora um mês cheio de futebol com o Mundial, e a época balnear está aí à porta.

Faz vinte e cinco anos que a Fábrica de Calçado Clarks fechou portas, primeiro em Arouca e a seguir a unidade em Castelo de Paiva. O encerramento da laboração desta indústria de capitais britânicos provocou uma hecatombe social em Arouca, pois era a maior empregadora do concelho, com várias centenas de trabalhadores, a maioria do sexo feminino.

Realizaram-se manifestações (fotos), políticos de vários quadrantes deslocaram-se até Arouca para transmitir a sua solidariedade para com os trabalhadores. A autarquia desde a primeira hora esteve ao lado do exército de colaboradores da empresa, mas de nada valeram esses apoios, porque a decisão estava tomada: o fecho da empresa e a sua deslocalização para países com mão-de-obra mais barata.

Dos tempos da Clarks em Arouca recordo dois momentos em que estive em funções diferentes. O primeiro, em 1994, com grande entusiasmo, enquanto jovem jornalista do RODA VIVA fiz a cobertura noticiosa da visita do treinador do FC Porto da altura, o inglês Bobby Robson, acompanhado do seu adjunto José Mourinho, à fábrica de calçado britânica sediada no lugar da Malhadoura, freguesia de Santa Eulália.

O anfitrião da visita foi o director-geral da empresa, também ele cidadão inglês. Para um aprendiz de jornalismo e adepto do clube da cidade invicta foram momentos inesquecíveis vividos naquele dia, que terminou com um jantar na Residencial São Pedro. Foi a única vez em que entrei naquela unidade industrial e era visível o bom ambiente que ali se vivia.

O segundo momento aconteceu como professor na Escola Secundária de Arouca no ano lectivo de 1997/98, onde fui docente de vários alunos no ensino recorrente (nocturno) que eram trabalhadores da Clarks durante o dia, e à noite procuravam completar o nono ou o décimo segundo ano de escolaridade. Recordo-me de algumas conversas que tive com eles, em que o espectro do encerramento da empresa pairava muito nas suas cabeças. Falavam na altura dos ordenados mais baixos dos trabalhadores do leste europeu que levava a que muitas multinacionais começassem a instalar-se por lá. Infelizmente, alguns anos mais tarde, o receio dos trabalhadores veio a confirmar-se.

Passou um quarto de século desse episódio marcante para a economia e para a sociedade arouquense mas, felizmente, os trabalhadores despedidos conseguiram levantar a cabeça e foram à luta e refizeram as suas vidas, com muito esforço e angústia, mas deram a volta por cima.

Esperemos que não aconteça mais nenhuma “Clarks” em Arouca, que prometia o eldorado e acabou num pesadelo.

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O FC Arouca terminou mais uma época na primeira Liga em grande estilo, alcançando um meritório oitavo lugar na classificação. Mais saboroso ainda se torna o feito do clube amarelo e azul, depois de uma primeira volta penosa em que o fantasma da descida de divisão chegou a pairar junto da massa associativa até ao final de Dezembro. A direcção soube actuar com precisão e sucesso no ajuste do plantel na janela de transferências de Inverno e a equipa transformou-se, tendo sido uma das grandes surpresas da segunda volta do campeonato.

O clube arouquense começa já a ganhar estatuto de clube primodivisionário e torcemos para uma época 2026/27 ao nível do melhor que o clube tem realizado.

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Este ano não se vai realizar a tradicional Recriação Histórica. A autarquia emitiu um comunicado nas suas redes sociais a informar as razões de tal decisão. E aí são invocadas as obras que neste momento estão a ser realizadas no Mosteiro de Arouca e que impedem a realização daquela iniciativa que já ganhou raízes no município.

As obras já são conhecidas desde o início do ano e a Câmara Municipal, tendo conhecimento dessa realidade, mesmo assim decidiu avançar com a contratação da direcção artística para a edição deste ano em Abril por um montante global de cinquenta mil euros, e até houve uma apresentação com os figurantes que iriam representar no evento.

Esta situação, que cheira a esturro, foi denunciada pela imprensa local e vivamente censurada nas redes sociais, mas da parte da autarquia mereceu um ensurdecedor silêncio!… Como diz o sábio povo, “quem não deve não teme”. Vamos continuar a aguardar, pacientemente, pelas devidas explicações públicas do executivo camarário sobre este caso.

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A fechar, gostaria de saber, enquanto cidadão e contribuinte, qual a explicação da Câmara Municipal para o facto de uma viatura da Protecção Civil de Arouca passar noites no concelho de Santa Maria da Feira, à porta da residência de um funcionário da autarquia?…

Por situações similares, alguns autarcas já foram condenados em Tribunal e exonerados dos seus cargos municipais…

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