O último fim-de-semana de Setembro vai conjugar três momentos de exaltação municipal e de grande frenesim: são eles, a tradicional Feira das Colheitas, que este ano assinala a sua 81ª edição; o arranque da campanha eleitoral para as eleições autárquicas, que terão lugar no dia 12 de Outubro; e ainda o jogo FC Arouca – FC Porto, a contar para a I Liga.
Sem dúvida, bons motivos de interesse para visitar o nosso município no final do mês. Entretanto, arrancou mais um ano lectivo em que alunos, professores e encarregados de educação vivem este período com uma sensação dupla de ansiedade e de entusiasmo.
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As eleições autárquicas deste ano apresentam algumas novidades relativamente a outros actos eleitorais de âmbito local. Começando pela Câmara Municipal, a disputa pela cadeira presidencial irá colocar frente-a-frente PS e a coligação de centro-direita “Primeiro Arouca”, e o resultado neste momento assume alguma imprevisibilidade, atendendo ao longo consulado socialista, a juntar a várias situações polémicas (condenação judicial de Belém, avenças chorudas a correligionários socialistas, aposta desmesurada no sector turístico em detrimento de outros…) e ao rejuvenescimento dos rostos da coligação e às suas propostas políticas.
Poderá, no entanto, haver ainda um joker nestas eleições que não será de todo de excluir: a eleição do candidato do partido Chega que poderá baralhar as contas finais.
Nas últimas legislativas, há poucos meses, o partido de André Ventura arrecadou em Arouca mais de dois mil votos, bastando agora em Outubro alcançar cerca de 1.400 votos para eleger um vereador…
Este cenário pode muito bem ser uma realidade e neste caso o partido vencedor poderia ter que formar coligação com o Chega para obter maioria absoluta, como aconteceu em 1989. Na altura, o PSD perdeu a maioria e coligou-se com o CDS, ficando Albano Martins, candidato centrista nas eleições, como vereador em permanência.
Outra curiosidade das próximas eleições é o facto de para as Assembleias de Freguesia de Chave e de Mansores apenas ter concorrido uma lista, aquela que se encontra no poder. Ou seja, José Luís Fevereiro (Chave) e Jorge Oliveira (Mansores) já estão eleitos para o mandato autárquico de 2025/29.
Esta situação permite-nos tirar duas conclusões: por um lado mostra que os actuais autarcas daquelas freguesias tiveram um mandato de grande brilho que “amedrontou” eventuais opositores; por outro, é mais um sintoma do afastamento das pessoas em participar na vida pública da comunidade, ou por comodismo ou por falta de atractividade da vida autárquica, deixando os poucos que ainda se interessam pela coisa pública manterem-se ad eternun nos lugares.
Este é mais um exemplo a merecer uma reflexão sobre a vida autárquica num concelho com as características geográficas e populacionais de Arouca.
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Setembro é também mês de Feira das Colheitas. Certame popular e de forte enraizamento na memória colectiva dos arouquenses residentes no município ou espalhados pelo país e pelo mundo.
A edição deste ano ficou para já marcada pelo cartaz oficial do evento, preguiçosamente feito através de montagens geradas por inteligência artificial, provocando um vendaval de críticas nas redes sociais.
Acompanho muitas das vozes críticas à imagem e à mensagem do cartaz, e já aqui sugeri mais do que uma vez – porque não criar um concurso de ideias, obedecendo a determinadas regras, junto das nossas escolas e outros artistas locais para a elaboração do cartaz?…
Esperemos que a festa decorra dentro de um espírito de comunhão e fraternidade entre os milhares de arouquenses e forasteiros que no último fim-de-semana visitam o nosso município.
E esperemos também que o São Pedro colabore para o sucesso da festa.