No âmbito do projecto Qualify.teca II, a Associação Empresarial de Cambra e Arouca (AECA) promoveu, a 10 de Julho, a masterclass “A Inteligência Artificial enquanto Ferramenta de Produtividade”.
Da associação empresarial à autarquia e à própria indústria, um mesmo aviso atravessou todas as intervenções: a Inteligência Artificial só traz vantagem a quem a usa de forma deliberada, o risco maior não está na tecnologia, mas em ficar parado.
O programa dividiu-se em dois momentos: uma sessão teórico-prática de manhã, na Biblioteca Municipal de Vale de Cambra, sobre a aplicação da Inteligência Artificial às PME, e uma visita à tarde às instalações da Tecnocon®, SA, onde o CEO António Moreira, acompanhado por Vítor Vilar e Humberto Bastos, apresentou um caso concreto de implementação industrial.
“O problema não é a IA. O problema é estarmos parados”
O presidente da AECA, Carlos Brandão, resumiu o objectivo da Masterclass: “Queremos mostrar a evolução que está a acontecer e ajudar as empresas a perceberem que as novas tecnologias, a Inteligência Artificial, a Indústria 5.0 e a qualificação das pessoas têm de caminhar em conjunto”.
O presidente da AECA sublinhou ainda que ganhos de eficiência raramente resultam apenas da compra de robótica ou de linhas automatizadas: exigem, muitas vezes, ajustes específicos e pontuais nos processos internos, a par da valorização do conhecimento das próprias pessoas, apontado como factor determinante para resolver problemas e tornar as organizações mais eficientes. Neste quadro, referiu a Inteligência Artificial como uma das principais alavancas de apoio à decisão e ao trabalho quotidiano das empresas.
“Antes da inteligência artificial, primeiro somos inteligentes nós”
A Associação Empresarial do Concelho de Oliveira de Azeméis (AECOA), parceira da AECA no Qualify.teca II, esteve representada por António Pinto Moreira, director-executivo, que enquadrou a iniciativa no projecto Qualify.teca II Tecnologias Alimentares, ligado à fileira de equipamentos, serviços e ingredientes para a indústria alimentar.
“Para ter projectos robustos temos de ter escala e, portanto, a escala vamos buscá-la procurando sinergias onde tudo for possível”, afirmou, referindo o trabalho conjunto entre a AECOA, a AECA a Associação Empresarial de Águeda (AEA) e os municípios da região. António Pinto Moreira associou este esforço à ambição de posicionar o território como referência nacional na cadeia de valor da indústria alimentar, através de um cluster regional que reúna fabrico de máquinas, reservatórios e equipamentos, engenharia, desenvolvimento de software e produção de ingredientes.
Na sua intervenção, defendeu que a capacidade de decisão interna das organizações deve anteceder a própria adopção tecnológica: “Temos que ser capazes de resolver, antes da inteligência artificial, primeiro somos inteligentes nós”, disse, manifestando a expectativa de que a qualificação da fileira se traduza em resultados práticos para as empresas envolvidas.
Câmara Municipal destaca aposta na liderança e no empreendedorismo
O vereador Nelson Martins, em representação da Câmara Municipal de Vale de Cambra, associou a iniciativa ao perfil empreendedor do concelho e à necessidade de acompanhar ativamente uma economia europeia e global em transformação.
Na sua intervenção, Nelson Martins situou a Inteligência Artificial como instrumento ao serviço das pessoas e das organizações, e não como substituto da sua capacidade de decisão: “A inteligência artificial é fundamental, mas a inteligência artificial não cria, a inteligência artificial e os especialistas usam a superinteligência, usam os dados, mas quem não usar não vai lá”, afirmou.
Na Tecnocon®, os primeiros passos são dados “de forma muito consciente”
Já nas instalações da empresa, a visita incluiu a apresentação institucional, uma abordagem às soluções da empresa para o sector da recolha de leite, uma componente dedicada à eficiência energética, uma demonstração do sistema de medição de leite desenvolvido, e um momento final de networking entre os participantes
O CEO da Tecnocon®, António Moreira, situou a organização numa fase inicial de adoção da Inteligência Artificial. “Estamos a começar. Estamos a dar os primeiros passos de uma forma muito consciente. Hoje já fazemos algumas pequenas aplicações, mas tudo é muito controlado. Esperamos que já em setembro tenhamos uma evolução significativa”, revelou.
Segundo António Moreira, a tecnologia deverá simplificar tarefas, poupar tempo e elevar a qualidade dos processos e equipamentos produzidos, mas fez questão de vincar os limites dessa adopção: ‘Não podemos utilizar a Inteligência Artificial de qualquer maneira. É preciso investir, pagar licenças e perceber muito bem o que estamos a fazer”.
A sessão encerrou com um apelo à aprendizagem contínua e com um princípio comum, formulado de diferentes maneiras por todos os intervenientes, do dirigente associativo ao autarca e à própria Tecnocon®: a Inteligência Artificial não substitui a capacidade de decisão das organizações, amplifica-a apenas quando usada com critério, e a adaptação das empresas e dos seus quadros técnicos à mudança acelerada é hoje decisiva para a sua sobrevivência.
Esta iniciativa realiza-se no âmbito do projeto Qualify.teca25, promovido pela AECOA em parceria com a AEA/ACOAG e com a AECA. Tem como objetivo reforçar a competitividade da Fileira dos “Equipamentos, Serviços e Ingredientes para a Indústria Alimentar”.
O ‘Qualify.teca25’ (Projecto n.º 17635), apoiado pelo programa estrutural Portugal 2030/Compete 2030) é um projecto financiado pelo ‘Portugal 2030’, no âmbito do COMPETE2030 – Programa Temático Inovação e Transição Digital, com um investimento total elegível de 687.684,43 euros, dos quais 584.531,77 euros são cofinanciados pela União Europeia, através do FEDER.