O I Fórum de Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP decorreu em Arouca entre os dias 27 e 30 de Maio, reunindo cerca de 120 participantes entre representantes institucionais, especialistas, investigadores e gestores de territórios dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Organizado no Arouca Geoparque Mundial da UNESCO, o encontro afirmou-se como um espaço de cooperação e partilha entre territórios lusófonos, centrado na valorização do património geológico, no turismo sustentável, na educação, na ciência e no desenvolvimento das comunidades.
Na sessão de abertura, a presidente da Câmara Municipal, Margarida Belém, destacou a língua portuguesa como elo de união entre os territórios participantes, sublinhando que “apesar das distâncias geográficas existe um chão comum que nos une: a língua”. A autarca reforçou ainda o papel transformador dos geoparques nos territórios e nas comunidades.
Também Leonor Picão, em representação do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços e do Conselho Directivo do Turismo de Portugal, destacou a importância dos geoparques para a valorização os de baixa densidade e para a promoção de um turismo mais sustentável e regenerativo.
Manuel Lapão, em representação da CPLP, sublinhou que o Fórum surge num momento particularmente simbólico para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que celebra 30 anos de existência, destacando que “o património, a ciência, o turismo e a cultura ligam-se de forma muito coerente”.
Artur Sá, presidente da Rede Global de Geoparques Mundiais da UNESCO, destacou o papel dos geoparques na construção de comunidades resilientes, defendendo que “quando o território descobre o valor da sua terra, uma comunidade descobre novas razões para acreditar em si própria”.
Já Kristof Vandenberghe, representante da UNESCO, salientou a importância do conhecimento dos territórios e do reforço da cooperação internacional face aos desafios globais relacionados com as alterações climáticas e a perda de biodiversidade. O responsável destacou, ainda, o papel dos geoparques enquanto plataformas de cooperação internacional, referindo que “é nossa missão apoiar e fortalecer os geoparques.”

Os dois primeiros dias do Fórum foram dedicados às sessões em sala, mesa-redonda e debates em torno de temas como geoconservação, governança participativa, turismo sustentável, educação, comunicação científica e envolvimento das comunidades locais nos processos de desenvolvimento territorial. Ao longo das diferentes intervenções foi reforçada a importância dos geoparques enquanto instrumentos de desenvolvimento sustentável, preservação do património e valorização das comunidades, bem como o papel da cooperação internacional na criação e consolidação de novos geoparques no espaço da CPLP.
O programa integrou ainda a cerimónia de entrega de prémios do I Concurso de Fotografia dos Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP e a inauguração da exposição com as fotografias vencedoras e menções honrosas, patente nos Claustros do Mosteiro de Arouca até 30 de Junho.
Um dos momentos simbólicos do encontro foi a apresentação do “Compromisso de Arouca para os Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP”, documento que estabelece princípios de cooperação entre os territórios lusófonos no âmbito dos geoparques mundiais da UNESCO, com especial enfoque no apoio aos países africanos da CPLP e a Timor-Leste.
O Fórum ficou, igualmente, marcado pela passagem de testemunho para o II Fórum, que terá lugar em 2028, no Quarta Colônia Geoparque Mundial da UNESCO, no Brasil. Este momento foi assinalado com a entrega de uma peça artesanal criada por artesãos locais, no âmbito de uma acção de formação promovida pelo Município de Arouca, em parceria com o CEARTE.
Na sessão de encerramento, José Cancela Moura, vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, destacou que “preservar não é impedir o desenvolvimento. É dar-lhe raízes”. Já Rita Brasil de Brito, secretária executiva da Comissão Nacional da UNESCO, salientou a importância da cooperação entre os países de língua portuguesa e a evolução da rede portuguesa de geoparques. Margarida Belém reforçou que os geoparques “são mais do que territórios de reconhecido valor geológico. São territórios vivos onde ciência, cultura e educação caminham lado a lado”.
Os dois últimos dias foram dedicados a saídas de campo e experiências no território Arouca Geopark, permitindo aos participantes conhecer alguns dos seus locais mais emblemáticos, como o Museu das Trilobites, a Ponte 516 Arouca, os Passadiços do Paiva e a Casa das Pedras Parideiras. A ligação entre património geológico, biodiversidade, educação e comunidades locais esteve muito presente, nomeadamente na interacção na aldeia de Paço – Moldes, no contacto com os alunos do Polo Escolar de Rossas e no convívio com os produtores do Mercado Local – Arouca Agrícola.
O I Fórum de Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP encerrou com a convicção comum de que a cooperação entre os países lusófonos será fundamental para fortalecer a rede de geoparques e promover novos territórios classificados no espaço da CPLP. AGA