Encontro sobre Inclusão em Arouca: «A deficiência não tem de ser para nós o fim do mundo»

O jornalista e crítico de cinema Mário Augusto e sua filha Rita Bulhosa (foto) contribuíram com o seu testemunho para um encontro sobre o tema e a problemática da Inclusão, que decorreu este sábado, 9 de Novembro, na Casa dos Magistrados de Arouca. O encontro, denominado “A Inclusão é possível?”, serviu como oportunidade de partilha de experiências e contou também com o orador Cristiano Magalhães, embaixador da Associação Salvador, entidade sediada em Marco de Canaveses e que é «uma referência nacional na luta pela inclusão e pelos direitos das pessoas portadoras de deficiência motora». Paraplégico desde que, aos 13 anos, foi vítima de atropelamento, Cristiano Magalhães contou a sua história de adaptação ao novo contexto de vida e o trabalho que vem desenvolvendo em defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência motora, dando ênfase às questões legislativas que frequentemente complicam a vida dos afectados ao dificultarem a resposta às necessidades em tempo útil. A sessão foi promovida pela Câmara Municipal de Arouca, representada pela vice-presidente Cláudia Oliveira, e teve a parceria das instituições arouquenses AICIA e Patronato e das equipas de Educação Especial dos Agrupamentos de Escolas de Arouca e de Escariz, entidades particulares e públicas que lidam diariamente no terreno com as questões da deficiência e da inclusão de crianças, jovens e adultos, concretizando «projectos e iniciativas que fazem a diferença na nossa comunidade ao promoverem a aceitação e a inclusão dos mais desfavorecidos.»

Representante da Associação Salvador

«A DEFICIÊNCIA NÃO TEM DE SER PARA NÓS O FIM DO MUNDO»

Mário Augusto e sua filha Rita Bulhosa, que sofre de paralisia cerebral desde os primeiros meses de vida – uma situação agravada mais tarde por uma cirurgia mal sucedida que a remeteu para uma cadeira de rodas – deixaram uma poderosa  mensagem de realismo e humanidade sobre a capacidade de resiliência enquanto pai e enquanto filha portadora de deficiência, e sobre o seu esforço conjunto tendo em vista o desenvolvimento de uma sociedade mais acessível e inclusiva para todos. «Quando convivemos diariamente com a diferença, vamos adquirindo novas competências. A deficiência não tem de ser para nós o fim do mundo. Travamos lutas físicas e mentais que as entidades e as pessoas em geral devem entender, não queremos ser esquecidos nem abordados com preconceito ou com mera curiosidade mórbida», referiu a jovem Rita Bolhosa que, não obstante as dificuldades, foi avançando com coragem e determinação numa ocupação profissional e num mestrado em comunicação.  «Há que valorizar a nossa autodeterminação, nós também temos objectivos de vida», reforçou. Também Ema, estudante invisual do AE Arouca, evidenciou o esforço de abertura ao mundo ao partilhar com o auditório uma história que leu percorrendo com a sensibilidade dos dedos a narrativa escrita em Braille.

SENSIBILIZAR AS NOVAS GERAÇÕES

 «Trabalhar a sensibilidade das novas gerações nas escolas para a compreensão e a aceitação da diferença é uma boa oportunidade para ajudar a construir um futuro de melhor que promova uma real inclusão e a igualdade de oportunidades», frisou ainda o representante da Associação Salvador.  Um momento musical a cargo de Afonso Ferreira e outro teatral por utentes do Patronato compuseram ainda o programa da sessão. Sediado na Avenida 25 de Abril, o Balcão da Inclusão do Município de Arouca foi inaugurado em 2023. Manuel Matos (texto e fotos)/RV

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