Um comércio local cada vez mais digital

Vivemos na era da informação e da conetividade digital. O papel e a caneta de que outrora nos fazíamos acompanhar foram, a pouco e pouco, substituídos pelo telemóvel e pelo computador. Podemos falar numa verdadeira mudança de paradigma.

Mudámos a forma como comunicamos uns com os outros, como trabalhamos, como vivemos e especialmente a forma como interagimos com o comércio. Contudo, do lado daqueles que exploram profissionalmente a atividade comercial, assistiu-se a um profundo alargamento dos limites geográficos que antes demarcavam os mercados em que se encontravam inseridos, por força do fácil acesso a um mercado digital que não conhece quaisquer fronteiras e que colocou os pequenos comerciantes, frente a frente, com as grandes superfícies comerciais.

O pequeno comerciante da vila de Arouca que outrora apenas tinha como principal preocupação os preços de venda a serem praticados pela loja do outro lado da rua, passa a disputar a sua posição no mercado diretamente com as grandes superfícies comerciais a nível nacional e internacional. Apresenta-se assim, diante de nós, um cenário de grande desigualdade entre os operadores atendendo a que, estes últimos, por terem uma presença digital mais consolidada e cadeias logísticas mais eficientes, apresentam perante o consumidor uma melhor oferta de preços e uma maior diversidade de produtos.

Inserido que está o consumidor final no grande jogo da oferta e da procura, o critério em que baseia a sua decisão de comprar não poderia ser mais claro: pagar o mínimo possível pelo produto que visa adquirir.

Perante este cenário, parece evidente a difícil situação em que ficam colocados os comerciantes locais. Por não disporem de uma cadeia logística tão eficiente como as das grandes superfícies, veem-se os pequenos comerciantes obrigados a martelar artificialmente os preços dos produtos por si oferecidos, suportando estes diretamente os custos da ineficiência das suas cadeias de comercialização, sob pena de perderem clientela.

São múltiplas as vantagens advindas da compra no comércio local em desfavor da aquisição junto das grandes superfícies: encurtamento das cadeias de comercialização e redução da pegada de carbono, disponibilização de produtos locais e nacionais de maior qualidade, promoção do emprego e da economia local.

Inegável é assim a relevância do comércio local para a economia local e, mais inegável ainda, é a necessidade que se faz sentir de, coletivamente, protegermos o comércio de proximidade. Para tal é imperativo concedermos aos pequenos comerciantes as ferramentas de que necessitam para entrar no jogo da oferta e da procura em situação de paridade para com os grandes players do mercado.

Alguns municípios portugueses, como é exemplo o Município de Arouca, têm vindo a adotar medidas que visam, na sua essência, promover o comércio local através de projetos tecnológicos verdadeiramente inovadores e que permitem aproximar o consumidor final do retalho local.

São projetos como o “Bairro Comercial Digital de Arouca” que têm o potencial necessário para dotar os comerciantes das ferramentas digitais de que devem estar munidos para que possam, com justeza e em pé de igualdade, disputar com as grandes superfícies naquele que é o grande jogo da concorrência, numa economia de mercado, em plena era digital. Alexandre Duarte

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