A população de Escariz vive em sobressalto devido à actual situação do trânsito na Estrada Municipal 519 (EM 519), em particular no troço compreendido entre Abelheira e Alagoas. Mora dores e proprietários da zona têm manifestado preocupação com a falta de segurança rodoviária, denunciando episódios frequentes de em bates de viaturas que resultam em danos nas vedações e propriedades privadas.
Em declarações ao nosso jornal, o presidente da Junta de Freguesia de Escariz, José Albino Oliveira, confirmou a gravidade da situação e recordou que esta preocupação não é recente. Já em Março de 2024, numa entrevista ao RODA VIVA, no âmbito do aumento da sinistralidade rodoviária na freguesia, o autarca tinha identificado este troço da EM 519 como um dos pontos críticos do território. Na altura, alertou para a crescente pressão do trânsito automóvel, sobretudo de veículos pesados, consequência directa da abertura do acesso de ligação de Escariz à A32.
Segundo José Albino Oliveira, «existe um crescente sentimento de insegurança entre moradores e utentes desta via que, em vários pontos, não permite o cruzamento seguro de duas viaturas, José Albino Oliveira, presidente da Junta de Escariz colocando em causa a segurança de todos».
O presidente da Junta acrescenta que o aumento significativo da circulação de veículos pesados tem agravado o risco, provocando «momentos de elevado perigo, tensão permanente e, como infelizmente é recorrente, danos materiais em propriedades».
O autarca revelou ainda que tem vindo a realizar, de forma persistente, várias diligências junto do Município de Arouca, entidade responsável pela gestão da via, no sentido de encontrar uma solução, mesmo que transitória, para o problema. Na sua opinião, essa solução passa pelo condicionamento do trânsito de veículos pesados no troço entre Alagoas e Abelheira, uma vez que existe uma alternativa viária pelo percurso dos Pousadinhos, pelo menos até ser concretizada a variante de ligação do Rossio a Abelheira.

Relativamente a esta variante, José Albino Oliveira sublinha a importância da obra para o desenvolvimento económico do território, em particular para o tecido empresarial das zonas industriais da Farrapa e das Lameiradas. No entanto, lamenta nunca ter sido convocado para apreciar ou discutir o projecto. Pelo conhecimento que tem, considera que o traçado actualmente previsto está desajustado e «não faz sentido», uma vez que aponta a ligação entre o Rossio e o lugar de Alvite de Baixo, na freguesia de Escariz.
Caso o projecto não seja revisto, o presidente da Junta alerta que a ligação não será funcional e poderá gerar novos constrangimentos, transferindo a pressão do trânsito para a Estrada Municipal 504 e para a Rua Principal de Escariz. Estas vias, refere, não estão prepara das para um tráfego intenso de veículos pesados, sendo ainda agravado o facto de atravessarem uma zona urbana e comercial com eleva do fluxo de pessoas e viaturas.
Questionado sobre possíveis alternativas, José Albino Oliveira defende que a opção mais viável seria definir, a partir da rotunda das Lameiradas, um traçado de ligação à EN 326, aproveitando o caminho florestal existente. Esta solução poderia representar custos significativamente mais baixos, sobretudo na aquisição de terrenos florestais, e teria a vantagem adicional de infra-estruturar uma zona com elevado potencial para a implantação empresarial. O autarca ressalva, contudo, que a proposta deve ser devidamente analisada do ponto de vista técnico, tendo em conta o enquadramento com o traçado da terceira fase da variante de ligação da A32 a Arouca.
Enquanto não surgem respostas concretas, a população de Escariz continua a viver com receio, aguar dando medidas que garantam maior segurança rodoviária e tranquilidade no quotidiano.