Há uma característica curiosa nos maiores desafios de Arouca: nenhum deles termina onde acaba uma freguesia. Os incêndios não conhecem limites administrativos, a mobilidade não escolhe fronteiras, o envelhecimento da população não distingue territórios, o turismo percorre o concelho sem olhar para mapas e o desenvolvimento económico depende cada vez mais da capacidade de criar redes e não apenas de resolver problemas isolados, pelo que talvez faça cada vez menos sentido continuar a procurar soluções que começam e acabam dentro de cada freguesia quando a realidade demonstra precisamente o contrário.
Ao longo dos últimos meses fomos falando de transparência, participação, planeamento e prioridades, mas todos esses temas conduzem inevitavelmente à mesma conclusão: Arouca só conseguirá crescer de forma equilibrada quando aprender a trabalhar mais em conjunto e, quando o motor de toda esta máquina (o executivo municipal) assumir-se como principal impulsionador e não “travão centralista”. Foi por isso que o recente protocolo de cooperação entre as freguesias de Escariz, Fermedo e São Miguel do Mato merece reconhecimento, não apenas pelo seu conteúdo, mas sobretudo pela mensagem que transmite, demonstrando que cooperar não significa perder identidade, significa ganhar capacidade de resposta e visão estratégica. Infelizmente, existem também exemplos que mostram o caminho inverso, como a situação da ligação municipal na zona de Escariz, cuja evolução do tráfego e da atividade económica há muito justificam uma intervenção estrutural, continuando, no entanto, a assistir-se a sucessivos alertas sem que exista uma resposta proporcional à dimensão do problema, reforçando a ideia de que continuamos demasiadas vezes a reagir às dificuldades quando deveríamos antecipá-las. O mesmo acontece com o turismo, Arouca é hoje uma referência nacional e internacional e isso deve orgulhar-nos, mas também deve levar-nos a refletir, porque grande parte dos visitantes concentra-se em três ou quatro pontos do concelho, beneficiando naturalmente essas zonas, enquanto muitas outras freguesias permanecem praticamente fora dos principais circuitos apesar de possuírem património natural, histórico, cultural e gastronómico de enorme valor. Talvez o desafio dos próximos anos já não seja trazer mais visitantes, mas sim criar condições para que descubram uma Arouca mais completa, permitindo que o desenvolvimento económico, a restauração, o alojamento local, o comércio e as atividades tradicionais possam gerar riqueza de forma mais equilibrada por todo o território e não apenas onde hoje existe maior concentração turística, sobrecarregando em demasia alguns zonas e estruturas físicas e principalmente naturais ( O Rio Paiva e o Rio Arda que se passa com os mesmos deve ser ponto de reflexão e actuação : URGENTE) que seriam mitigadas.
Talvez tenha chegado o momento de Arouca iniciar uma reflexão diferente sobre a forma como pensa o seu desenvolvimento, criando novos modelos de colaboração NÃO POLITIZADOS entre freguesias, associações, empresas e instituições, capazes de acrescentar capacidade de planeamento, captar oportunidades e construir projetos comuns, porque nenhuma freguesia conseguirá, sozinha, resolver desafios que pertencem a todo o concelho. Uma estrada pode ligar dois lugares, um protocolo pode aproximar duas instituições, mas uma visão comum tem a capacidade de unir um território inteiro.
Porque pensar Arouca não é preparar o próximo mês, é começar hoje a construir Arouca 2030. Valter Cruz
Quando pensar em conjunto deixa de ser uma opção
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