Moradores do lugar da Bouça (Chave) desesperam por fibra óptica

«Arrasta-se há mais de dois anos e, parece sem vias de qualquer evolução, a extensão da rede de fibra óptica até aos outrora designados lugares de Ribães de Cima e Ribães de Baixo que há pouco tempo viriam a adquirir novas designações tais como: Rua 10 de Dezembro, Rua de Venda e outros. São cerca de 16 fogos e 25 residentes alguns deles com formatura de grau superior que se encontram privados do fornecimento deste serviço», refere o abaixo-assinado de um grupo de moradores do lugar de Bouça, freguesia de Chave, enviado à Junta de Freguesia devido à ausência de fibra óptica [rede de comunicações para internet] numa parte daquele lugar, causando grandes transtornos no quotidiano aos habitantes.

«As constantes razões de queixas por parte de quem usufruía serviços por cabo (via telefone) das operadoras e dado que não lhes era permitido aceder nas melhores condições de acesso ao serviço e ainda ao sistema de captação de televisão HD acabaram por abdicar dos serviços destas. Estas têm assediado os residentes a aderir a pacotes com promessas de fornecimento dos serviços através da rede fibra (que não existe), embora na página da DST se diga que tem cobertura a 100%. Naturalmente e para evitar conflitos não subscrevem tais serviços dado, como é evidente, e não ser mais do que um engodo para cativar clientes levando-os a assinar de cruz e continuarem com um serviço que não utilizará a fibra óptica», adianta ainda o documento.

Recordando o início deste processo, os signatários do abaixo assinado salientam que «há cerca de mais de dois anos foram realizados trabalhos entre a Zona Industrial da Farrapa e ao longo da Estrada Nacional 224 até à Farrapa (Chave), que visaram a instalação da fibra óptica. Paralelamente e ao longo duma estrada Municipal que vai deste o Lar de Chave até um acesso, que entronca na EN 224 vai de Arouca à Farrapa/Chave (EN 224), instalaram-se uma série de postes e cabos que vieram desembocar junto a um local conhecido como sítio da Cruz. Era voz corrente que tais trabalhos visariam dotar de rede fibra uma série de casas desta freguesia que se encontram espalhadas ao longo da Estrada Nacional (com o nome genérico de Bouça), melhor dizendo a actual Rua 10 de Dezembro que se estende por cima de um quilómetro de cumprimento, isto é, desde a partilha da freguesia de Chave (Ponte do Botelho) com Rossas até ao cruzamento de Farrapa. Hoje em dia há uma numeração de casas cujo início tem lugar na partilha das freguesias».

Os signatários solicitam que sejam igualmente contemplados com o fornecimento da reclamada fibra óptica, «pois o investimento a ser feito e que deveria ter sido acabado e não o foi ficasse a escassos 200/250 metros dos últimos lugares habitados (já referidos Ribães de Cima e de Baixo)».

Contactado pelo RODA VIVA, o presidente da Junta de Freguesia de Chave, José Luís Fevereiro, afirmou que «a freguesia de Chave tem cobertura de fibra em todos os lugares. Aquando da pandemia, faltava a cobertura nos lugares de Regada, Quintela e Bouça. Nessa altura e para que as crianças pudessem estudar em casa, foi alargada a rede de fibra a esses lugares». O autarca asseverou ainda que «no caso do lugar da Bouça, na estrada EN 224, a caixa (N58/r01/pldp/16) está colocada junto ao antigo alambique, ou seja, ainda distante de Ribães de Cima e de Ribães de Baixo». Foram feitas exposições a diversas entidades – DSTelecom, NOWO, NÓS, Vodafone, MEO, ANACOM e Provedor de Justiça (conforme documentos enviados ao RV) – «tendo as respostas sido inconclusivas, e até hoje tudo permanece inalterado». «Posteriormente contactámos telefonicamente, tendo-nos sido comunicado que se as pessoas contratualizassem o serviço de fibra, que o serviço era instalado. Importante seria a DST colocar nova caixa em Ribães», concluiu o autarca.


VOX POPULI

Hélder Ferreira, 65 anos, empregado de restaurante:

«Existe fibra até ao lugar da Bouça (ao alambique), e junto à EN224 não existe, apesar de ter tudo lá montado (caixa e fios), faltando apenas o puxar a extensão. A falta de fibra causa grandes transtornos aos moradores pois o telemóvel e televisão não têm sinal e captação. Apesar da pressão feita junto da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, a situação permanece igual apesar da empresa ter demarcações no solo no sítio da Cruz com vista a levar a fibra à totalidade do lugar da Bouça. Apenas fizeram uma parte do projectado prometido à população. Esta situação permanece há cerca de quatro anos, e continuamos a pagar impostos».


Sílvia Silva, professora de Inglês:

«Já existe fibra óptica no Chão de Ave há vários anos, entretanto, chegou ao alambique a cerca de 500 metros do lugar da Bouça e não chegou restante lugar, ficou apenas por aí. A internet é bastante lenta, vai muitas vezes abaixo, causando grande transtornos a nível pessoal e profissional. No período da covid éramos dois professores em casa a dar aulas online e ia a rede ia constantemente abaixo. Contactei várias vezes a MEO, sinalizei três vezes a situação, mas até ao momento nada fizeram. A Junta de Freguesia e Câmara Municipal podiam fazer mais para resolver esta situação que causa muito desconforto aos moradores».


Natália Ferreira, aposentada:

«Quase todos os meses tenho que desligar a box e fazer novamente o reset, pois fico sem sinal. A televisão vai constantemente abaixo e causa grande transtorno. Já reclamei junto da minha operadora, mas até ao momento tem sido em vão. Parece que uns são filhos e outros enteados. Continuo sem perceber esta situação que nos causa muitas chatices». JCS

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