Inauguração das Obras Jubilares na Igreja Paroquial de Santa Eulália

A comunidade paroquial de Santa Eulália de Arouca reuniu-se na manhã do passado dia 8 de Dezembro, pelas 10h00, na Igreja Paroquial, para viver um momento de grande relevância para a comunidade: a solenidade da Imaculada Conceição e a inauguração das Obras Jubilares, que incluíram o restauro de dois altares colaterais, trabalho recentemente concluído após mais de seis meses de trabalho.

A Eucaristia foi presidida por D. Roberto Mariz, bispo auxiliar do Porto, e concelebrada pelo padre José Pedro de Magalhães Novais, pároco da freguesia. Estiveram também presentes o Conselho Económico (Comissão Fabriqueira), dois conservadores-restauradores em representação da Dalmática, Conservação & Restauro, empresa responsável pela intervenção, a presidente da Câmara Municipal de Arouca, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Eulália (ex-membro da Fábrica da Igreja), bem como numerosos paroquianos que contribuíram ativamente para a realização destas Obras.

A Eucaristia foi celebrada com grande solenidade e intensa espiritualidade. Na sua homilia, D. Roberto Mariz dirigiu palavras de reconhecimento à comunidade, sublinhando que «uma comunidade unida pela fé é capaz de realizar obras que perduram para as gerações futuras». O Prelado sublinhou ainda a importância do cuidado com o património religioso, afirmando que «a casa de Deus é um edifício de todos, que deve ser preservado para as gerações futuras».

No final da celebração, o padre José Pedro usou da palavra para expressar um sentido agradecimento a todos os presentes e, de modo muito especial, aos paroquianos, salientando que sem a sua generosidade e empenho não teria sido possível concretizar um projeto desta dimensão. Agradeceu igualmente o trabalho dos membros da Fábrica da Igreja, de todos os colaboradores envolvidos e a presença das entidades civis que quiseram associar-se a este momento marcante na vida da paróquia. E terminou com uma dedicatória muito especial: «Estas Obras Jubilares são dedicadas aos mais novos, às crianças e aos jovens da nossa comunidade. Caros amigos, é nas vossas mãos que colocamos tudo isto. Estas Obras são para vós. E é fácil perceber porquê. Sejamos realistas: muitas das pessoas que agora se empenharam e fizeram generosas ofertas para que estas Obras acontecessem não o fizeram a pensar em si, não o fizeram a pensar na meia dúzia de anos que terão para as apreciar. Aliás, houve mesmo quem tivesse contribuído generosamente para que estas Obras fossem possíveis e que hoje não estão a celebrar connosco deste lado da Vida, já que, entretanto, partiram para a eternidade. Estas não são Obras para meia dúzia de anos. Este soalho não é para durar dez anos; no mínimo, é para durar cem, como o anterior. A intervenção profunda que os altares receberam (provavelmente, a primeira desta extensão e pormenor desde que foram feitos) não é para durar trinta anos, é para durar outros trezentos. Caros amigos, meninos e meninas e todos os jovens: estas Obras Jubilares não são para quem as fez e pagou, são para vós! Foram feitas para que um dia possais passar aos vossos netos o que os vossos avós fizeram. E assim desvendamos a esperança mais profunda, o verdadeiro sonho que realmente moveu e move tão grandemente a nossa comunidade: a esperança de que, daqui a cem, duzentos ou trezentos anos a Igreja (com maiúscula) – simbolizada nesta igreja (com minúscula) – continuará aqui, anunciando Jesus, levando a verdade da Sua Palavra, o conforto dos Seus Sacramentos e a beleza do Seu Amor àqueles que aqui viverem. É o sonho de que, daqui a décadas e séculos, com estes mesmos altares e estas mesmas imagens como silenciosas testemunhas, com este mesmo chão a suportá-los e estes mesmos bancos a proporcionar-lhes alívio e conforto físico, continuará a haver pessoas – vós e os vossos descendentes – que aqui se reunirão para rezar, para construírem as suas vidas com Deus, a partir de Deus e orientados para Deus».

Terminada a celebração, houve tempo para uma sessão de esclarecimento conduzida pelos representantes da empresa Dalmática, Conservação & Restauro. Durante este momento, foram explicadas de forma detalhada as várias etapas do processo de restauro dos dois altares colaterais, os materiais utilizados e os critérios de conservação aplicados. Foram dadas respostas adequadas às questões colocadas pelos participantes.

Seguiu-se um gesto simbólico: D. Roberto Mariz plantou uma oliveira no jardim junto à sacristia, assinalando o encerramento destas Obras. Este ato singelo simboliza o crescimento, o renovo e a esperança, valores profundamente ligados à vida de uma comunidade cristã.

Finalmente, a comunidade reuniu-se no adro da Igreja para um agradável e fraterno convívio, onde foi servido pão doce, regueifa e Vinho do Porto. As comemorações prolongaram-se ao longo da tarde com uma surpresa especial, oferecida pelo Círculo Cultura e Democracia: um concerto por dois violinistas, cuja interpretação encantou todos os presentes. Deste modo, o dia encerrou-se num ambiente de beleza, arte e emoção.

Este foi, sem dúvida, um dia marcante para Santa Eulália de Arouca, vivido com fé, alegria e comunhão, que reforçou o cuidado pelo património religioso e cultural da freguesia e a certeza de que, unidos, é possível preservar a herança que liga gerações passadas, presentes e futuras. Inf. Paróquia de Santa Eulália de Arouca

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