Graças a uma «brutal segunda volta» – as palavras são do treinador Vasco Seabra – o FC Arouca trepou do perigoso 14º lugar da 1ª volta para um 8º lugar que garantiu, tranquilamente e com boas exibições, a 10ª presença do clube no principal escalão do futebol português. Depois de terem terminado a 1ª volta com apenas 3 vitórias e uns horríveis 42 golos sofridos, os lobos arrancaram para uma 2ª volta entusiasmante durante a qual foram uma das melhores equipas do campeonato. Os dados não deixam dúvidas: 9 vitórias e um empate, a que acrescem a melhoria da eficácia atacante (de 18 para 29 golos) e, sobretudo, a drástica redução do número de golos sofridos para 22, ou seja, a diminuição dos desacertos da equipa de uma média de 2,5 de golos sofridos por jogo na 1ª parte do campeonato para apenas 1,3 no decorrer da 2ª volta. Para a história desta 2ª volta ficaram ainda alguns resultados algo frustrantes quando, após bons desempenhos, o FC Arouca deixou cair pontos nos últimos instantes nos confrontos com Benfica, Sporting, FC Porto e SC Braga.

BOA GESTÃO ASSOCIADA A DECISÕES ESTRATÉGICAS NA REORGANIZAÇÃO DO PLANTEL
A péssima derrota (3-0) com que a equipa fechou a 1ª volta em Tondela foi o clique para um conjunto de intervenções cirúrgicas que aceleraram o desempenho positivo dos lobos para o resto do campeonato. Uma, foi o voto de confiança da administração em Vasco Seabra, o treinador que já na época anterior tirara a equipa do fundo da tabela e a colocara no estável 12º lugar. «Comigo, Vasco Seabra está firme como uma rocha»: a forte promessa do presidente Carlos Pinho lançada aos sócios na assembleia geral do clube realizada no mês Novembro pôs fim a especulações quanto à continuidade do técnico e reforçou a confiança no trabalho que estava a ser desenvolvido.
Outra, decisivamente impactante, foi a gestão da situação pela estrutura do Arouca, nomeadamente a experiência do director geral, Joel Pinho. Decorridas 17 jornadas de resultados aquém do expectável, e quando o caminho mais fácil tinha sido despedir o treinador (uma prática abundante no futebol português) – a precipitação deu lugar à ponderação que permitiu identificar os problemas e as soluções de que a equipa precisava. Preservado um treinador que já dera provas positivas na época anterior, três contratações cirúrgicas no mercado de inverno entregaram à equipa a capacidade e sobretudo a confiança defensiva de que ela precisava: falamos do regresso de Arruabarrena à baliza, mais a vinda de experientes defesas – o espanhol Javi Sánchez e o neerlandês Bas Kuipers.
Por fim, e com a equipa já reforçada no que toca ao vector defensivo, o futebol dos lobos ganhou alento e reforçou a identidade de processos que Vasco Seabra sempre procurou aprimorar. Jornada a jornada reforçaram-se novas dinâmicas que fizeram crescer dentro da equipa unidades como Fukui, Espen Van Ee, Hyunju ou Pablo Gozálbez, jovens jogadores que acabaram por colmatar positivamente e até final da época a vaga deixada pela saída, em meados de Janeiro, do experiente capitão David Simão, após resolução do contrato por mútuo acordo.

VASCO SEABRA FECHA A ÉPOCA COM ELOGIOS À ESTRUTURA, AO PLANTEL E AOS ADEPTOS
Depois de um começo do campeonato em baixa, Vasco Seabra exultou, na sua rede social, a capacidade de reacção e de conquista dos lobos de Arouca.
«A época termina com a sensação clara de crescimento. Nem tudo foi fácil. Houve momentos duros, dúvidas, derrotas e necessidade de reagir. Mas houve sempre algo que o grupo nunca perdeu: compromisso, coragem e vontade de crescer. Terminamos em 8.º lugar, depois de uma segunda volta muito forte, construída com trabalho diário, espírito de equipa e uma identidade cada vez mais clara. Orgulhoso da evolução coletiva. Orgulhoso da forma como competimos. Orgulhoso das pessoas que fizeram parte deste caminho. Obrigado a todos os jogadores, staff, direção e adeptos pelo apoio e pela confiança ao longo da época. Agora é tempo de recuperar, refletir e preparar a próxima temporada», escreveu o treinador do FC Arouca, que já renovou para a próxima temporada.
REGRESSO AO TRABALHO A 2 DE JULHO
Com muito trabalho em curso para afinar as agulhas com que vai cozer a 10ª participação na Liga, a estrutura do FC Arouca já agendou a abertura da “oficina” para o dia 2 de Julho para a realização de exames médicos. Em meados do mês, o grupo de trabalho voltará a concentrar-se no Luso (concelho da Mealhada) para o já habitual estágio de pré-época. MMS/RV (fotos: FCA)