Educação política nas escolas: aprender a pensar

Fala-se frequentemente do desinteresse dos jovens pela política como se fosse um problema geracional inevitável. Apontam-se dedos à apatia, falta de sentido cívico e redes sociais. Mas muitas vezes ignoramos o motivo mais evidente: como podemos esperar cidadãos politicamente conscientes, se não lhes damos bases para isso? Jovens que não conhecem a democracia colocam-na em risco.

A escola é um espaço onde se formam cidadãos e não apenas futuros trabalhadores. Ainda assim, a educação política tem ocupado um lugar discreto e muitas vezes até invisível. Aprendem-se fórmulas matemáticas, línguas, gramática e ciências, mas poucos saem do ensino obrigatório com bases sólidas sobre o funcionamento das instituições, o impacto das suas decisões políticas no quotidiano ou a importância do pensamento crítico quanto a discursos políticos.

A ausência de uma educação base sobre política abre portas para desinformação, cidadãos sem opiniões firmes e próprios, jovens que não votam e não entendem a importância de votar, e jovens que não conhecem o sistema e a forma como funciona. No futuro, estes serão os eleitores que escolherão quem governa o país.

Ensinar política nas escolas não é ensinar ideologias nem lados. Trata-se de oferecer conhecimento e levar o jovem a ter pensamento crítico e sobretudo curiosidade: curiosidade para questionar, curiosidade para conhecer e curiosidade para escolher. Devemos ensinar os nossos jovens a analisar as várias perspectivas e a compreender que a democracia vive do debate informado e do respeito pela diversidade de opiniões.

Quando a escola ignora tudo isto, está a contribuir para um futuro incerto. Investir numa educação de base política é investir no futuro do país e no futuro da democracia. Um Portugal com menos vulnerabilidade a manipulações, promessas fáceis, ilusões e desinformação. As escolas mascaram muitas vezes este tema com palestras anuais que não são suficientes. Há que incluir este tema na vida dos estudantes de uma forma mais presente.

Criticar o desinteresse dos jovens é fácil. Difícil é assumir que muito desse desinteresse é culpa do sistema que nunca os ensinou a pensar realmente. O sistema acaba assim por se sabotar a si mesmo- sem educação o voto torna-se um gesto vazio.

Os jovens de hoje são os eleitores de amanhã e os adultos do futuro. Jacinta Cunha

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