Na edição de aniversário do RODA VIVA, que completa 37 anos de vida, vou aproveitar o momento festivo para destacar outros três relevantes aniversários que ocorreram no concelho e que dizem muito a Arouca e aos arouquenses.
Mas começando pelo RV, é com indisfarçável orgulho que assinalo mais um aniversário do jornal, nascido no dia 13 de Julho de 1989, numa altura em que Arouca tinha dois jornais concelhios e dois de freguesia. Presentemente, o município apenas tem o RV como jornal exclusivamente arouquense, onde Arouca está e estará sempre no primeiro plano das notícias.
Os ciclos políticos vão-se sucedendo, as estruturas associativas renovando e os interesses das pessoas alterando com as mudanças dos novos tempos, mas o RV tem-se ajustado com o mesmo entusiasmo e independência aos novos ventos que sopram de várias latitudes.
Mas para conseguirmos manter a qualidade jornalística e a acutilância editorial que nos caracteriza ao longo destas quase quatro décadas de vida, tal só é possível graças à excelente equipa que nos acompanha e aos nossos indefectíveis anunciantes que nos garantem a tão necessária independência e credibilidade. Os nossos leitores e assinantes, a razão de ser de toda a nossa labuta, são um decisivo baluarte na longevidade do jornal.
Apesar dos tempos cinzentos que povoam o céu dos mass media, o RODA VIVA vai continuar a sua firme caminhada nas edições impressa, online e nas redes sociais.
Por falar em parceiros, a marca “Cavadinha”, primeiro “Supermercado Cavadinha” e mais recentemente “Meu Super Cavadinha” atinge este ano a invejável idade de 80 anos de vida. Nasceu no final da II Guerra Mundial, no já longínquo ano de 1946, e sob a liderança de Adriano Sousa e mais tarde do seu filho primogénito Manuel Sousa, tornou-se uma referência na economia e na sociedade de Arouca.
Recordo-me ainda petiz, na década de 1970, de ir ao “Cavadinha” na Praça Brandão de Vasconcelos, uma mercearia moderna para a altura. O armazém da empresa ficava situa da no rés-do-chão do prédio onde hoje funciona o Lar do Patronato, na Rua Dr. Figueiredo Sobrinho, e possuía um “barracão” de madeira, onde hoje funciona o restaurante Assembleia, que também funcionava como segundo armazém. Lembro-me de ver os funcionários da empresa a carregar sacos de sal, na altura era um produto muito procurado para as salgadeiras, para conservar a carne de porco.
O senhor Manuel Sousa “Cavadinha” foi um visionário, não apenas no negócio mas também noutras áreas e deixou um inegável legado, que o seu neto, Henrique Sousa, tem sabido perpetuar e expandir com mestria e responsabilidade social.
O terceiro aniversário que gostaria de ressalvar é o 20º do Museu das Trilobites, obra do seu grande mentor, Manuel Valério, que graças ao seu entusiasmo e paixão decidiu criar um espaço didáctico alusivo às trilobites [fósseis de animais marinhos] que foram surgindo na sua exploração de ardósia na freguesia de Canelas, pertença da família Valério.
O Museu das Trilobites foi a pedra de to que para essa grande epopeia que foi o Arouca Geopark, marca indissociável ao nosso fulgor turístico dos últimos anos. Manuel Valério, juntamente com Artur Neves e Artur Sá, foram os grandes obreiros desta nova “Arouca” que surgiu em força a partir do segundo mandato de Neves.
Podemos afirmar sem rodeios que o berço do Arouca Geopark foi no Museu das Trilobites que continua a ser destino “de inúmeros turistas, académicos e múltiplas visitas de estudo de escolas de todo o país, integrando diversos manuais escolares das disciplinas de Ciências Naturais, Biologia e Geologia.
O último aniversário que gostaria de enaltecer é o 40º do Torneio de Futebol Infantil/Juvenil. Recordo-me do primeiro com alguma tristeza porque não pude jogar: tinha ultrapassa do num ano a idade limite de participação, mas o torneio do parque é uma memória que não deixa ninguém indiferente. Durante o mês de Julho, com os jogos a disputar-se no antigo campo pelado do Parque Central, a vila de Arouca ganhava brilho, animação e um fervor desportivo que não mais se viveu.
Na primeira edição, o craque que apadrinhou o torneio foi António Sousa, jogador do FC Porto e da Selecção Nacional e que deixou a multidão exuberante. O futebolista natural de São João da Madeira tinha sido um dos titulares da equipa-azul-e-branca na final da Taça das Taças em Basileia e da Selecção Nacional no Europeu de França, no ano de 1984.
Muitos dos atletas que participaram nos torneios iniciais são hoje homens grisalhos que acompanham a prova embevecidos ao ver os seus netos a exibir os seus dotes futebolísticos, num relvado sintético com a mesma entrega e paixão com que os seus pais e avós competiam no pelado junto ao Mosteiro.
Para finalizar, apenas mais uma curiosidade – na primeira edição a empresa “Cavadinha” patrocinou o Torneio e volvidas quatro décadas continua a fazê-lo com o mesmo espírito de ajuda à comunidade. Há coisas que não mudam. (foto de arquivo: Avelino Vieira)