50 anos de Poder Local

Este ano assinala-se o cinquentenário da implementação do Poder Local democraticamente eleito.

Foi no dia 12 de Dezembro de 1976 que os arouquenses foram chamados pela primeira vez às urnas para eleger os seus representantes autárquicos.

Até então, os presidentes de Câmara eram nomeados pelo poder central e tinham os seus poderes e áreas de intervenção muito cerceados.

Zeferino Brandão, que encabeçou a lista do PPD/PSD, foi o vencedor da disputa eleitoral com maioria absoluta. Foram ainda eleitos vereadores José Hermínio Sousa (PPD/PSD), Vitorino Melo (PPD/PSD), Elísio Azevedo (PPD/ PSD), Camilo Noites (CDS), Albano Martins (CDS) e José Belém (PS). Dos sete eleitos, apenas Zeferino Brandão e Albano Martins estão vivos.

A Assembleia Municipal também foi ganha pelo PPD/PSD, sendo eleita Salomé Martingo como presidente do órgão deliberativo.

Das vinte Juntas de Freguesia que faziam parte do município, o PPD/PSD teve uma vitória redundante, ao vencer quinze, o CDS conquistou três, em Mansores ganhou uma lista independente, situação que ainda hoje permanece naquela freguesia, e em Albergaria da Serra o executivo foi eleito em plenário.

As dificuldades e desafios que aqueles autarcas sem qualquer experiência tiveram de enfrentar eram de monta, mas o entusiasmo e o voluntarismo que os impulsionava permitiram rasgar novos horizontes ao município de Arouca.

Ainda não havia fundos comunitário a rodos, não existia três vereadores em permanência, gabinetes da presidência, de comunicação… Era um admirável mundo novo com muitas dificuldades e com escassos recursos.

As necessidades básicas para a grande maioria da população estavam ainda por satisfazer – vias de comunicação e malhas urbanas diminutas, rede eléctrica, distribuição de água potável estavam ainda ao nível do terceiro mundo.

Mas quem viveu aquele período na idade adulta, certamente recordará aqueles tempos como únicos na história recente do nosso município.

Era ainda uma criança em 1976, nasci em 1970, mas recordo-me nos anos posteriores, ainda na década de setenta, do entusiasmo e dinamismo que se viveu em Arouca.

Desde o associativismo, que cresceu de forma exponencial neste período e que teve um papel fulcral no desenvolvimento do concelho, além do papel de agregador das populações, passando pelo dinamismo desportivo em todas as freguesias, apesar dos parcos recursos materiais e de ausência de infra-estruturas – aqui tenho que fazer um parêntesis, e destacar o papel de grande impulsionador do meu Pai neste período até final da década de oitenta.

Entretanto os anos foram decorrendo, o sistema democrático foi estabilizando, Portugal aderiu à então CEE e depois UE, e as autarquias foram ganhando mais competências e recursos.

A actual edil Margarida Belém (PS) é a quinta autarca eleita, depois de Artur Neves (PS), Armando Zola (PS) e Joaquim Brandão de Almeida (PSD).

Todos eles, em períodos diferentes, deixaram o seu cunho pessoal na gestão do município, uns com maior visibilidade e durabilidade do que outros, mas todos eles procuraram nos seus mandatos melhorar as condições de vida dos arouquenses e elevar Arouca a patamares mais altos de desenvolvimento.

Neste ano em que se celebra as bodas de ouro do Poder Local, espero que a autarquia, tão exímia na dinamização de eventos onde não olha a custos, elabore um conjunto de iniciativas alusivas à efeméride, encerrando no final do ano, no dia 12 de Dezembro, que este ano será num sábado, com uma cerimónia pública de homenagem a todos os autarcas (Câmara, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesias) que ao longo deste meio século deram o melhor de si pela nossa Arouca. José Carlos Silva

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