2025: O Ano que Não Me Deixou Igual

2025 impôs-se como um daqueles anos que deixam marcas profundas, não apenas pela intensidade com que os acontecimentos se sucederam, mas também pela forma como me obrigaram a repensar prioridades, ritmos e caminhos, e foi essa transformação contínua que atravessou cada reflexão escrita ao longo dos meses, cada artigo onde se tentei registar inquietações sobre política local, desenvolvimento comunitário, participação cívica, associativismo, planeamento, economia, liberalismo, inovação ou sustentabilidade, compondo um percurso que se cruzou inevitavelmente com responsabilidades inéditas, desde a candidatura às legislativas pelo círculo de Aveiro até à corrida à presidência da Junta de Freguesia de Tropeço, somando ainda o fim de um ciclo de oito anos ligados ao associativismo na ADCTropeço, experiências que não só marcaram o ano como alteraram a forma de olhar para Arouca, para as suas fragilidades e potencialidades e para a urgência de reconstruir o sentido de futuro do território.
Ao longo de 2025, os artigos procuraram expor fragilidades estruturais mas também oportunidades de mudança, analisando a forma como o poder local continua a falhar na auscultação dos cidadãos e na valorização real dos seus contributos, refletindo sobre a importância do associativismo enquanto espaço onde se cria pertença, cultura e coesão, evidenciando ainda a necessidade de repensar modelos económicos, simplificar processos, reduzir barreiras administrativas e integrar inovação, num momento em que a digitalização e a inteligência artificial deixaram de ser tendência distante para se tornarem ferramentas presentes que exigem visão, preparação e coragem política.
Foi igualmente um ano marcado pela análise crítica das políticas públicas, pela comparação entre discursos e resultados, pela defesa de uma autarquia mais transparente, acessível e comprometida com o médio e longo prazo, insistindo sempre na urgência de devolver centralidade aos munícipes, reforçando participação, escrutínio e responsabilidade, compreendendo que a evolução de qualquer território depende da forma como os seus cidadãos são informados, ouvidos e integrados nas decisões que moldam o seu quotidiano.
O conjunto destas reflexões, somado aos desafios pessoais e políticos vividos, permitiu consolidar uma convicção clara: Arouca só avançará de forma consistente quando existir coragem para abandonar rotinas estagnadas, quando os processos forem céleres, quando os interlocutores forem responsáveis e quando as comunidades, as associações e as empresas forem tratadas como pilares estratégicos e não como meros complementos da governação, sendo este o ponto onde o futuro se decide e onde se determina se o território escolhe a estagnação ou a transformação.
Por isso, olhando para 2026, impõe-se um desafio que deve ser assumido com clareza e determinação: construir uma Arouca mais dinâmica, mais autêntica e mais transparente, onde os processos deixem de ser obstáculos e passem a ser facilitadores, onde os interlocutores públicos respondam com responsabilidade e rapidez, onde a participação não seja um gesto simbólico mas uma prática constante que envolva os arouquenses, as associações, as empresas e toda a comunidade, garantindo que as políticas deixem de ser pensadas apenas para o momento e passem a integrar uma visão sólida de médio e longo prazo, estudada, fundamentada e estruturada.
E porque 2026 será inevitavelmente mais exigente, mais digital e mais apoiado na inteligência artificial, será também um ano que testará a maturidade das instituições e a capacidade de adaptação da sociedade, criando desafios reais, mas oferecendo igualmente a oportunidade de avançar com mais inteligência, com mais rapidez e, sobretudo, com mais propósito, porque Arouca só poderá crescer de forma sustentável se escolher este caminho, se entender que a tecnologia deve libertar tempo para o que realmente importa e que o desenvolvimento só será verdadeiro quando colocar as pessoas no centro, criando um território mais unido, mais preparado e mais capaz de definir o seu próprio futuro.

Saúde e Votos de um Excelente 2026. Valter Cruz

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