Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda distinguida com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro

Fundada em 1886, a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda foi galardoada com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro. A cerimónia de entrega da máxima distinção pelo município de Arouca decorreu no dia 2 de Maio, Dia do Município, no edifício dos Paços do Concelho, no âmbito do programa da Festa em Honra da Rainha Santa Mafalda. «Guardiã do património identitário arouquense», como o Museu de Arte Sacra e outras valências únicas no património histórico e cultural do município e do país, a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda é Instituição de Utilidade Pública desde 2009, reconhecida pelas suas «contribuições relevantes na área da cultura e das artes.»


ARNALDO PINHO PRESIDE À INSTITUIÇÃO

Na cerimónia presidida pelos representantes do município foram expostos os fundamentos para o reconhecimento público da instituição, momento solene que o Juiz da Real Irmandade, Arnaldo Cardoso Pinho (foto), agradeceu. A Mesa Administrativa da RIRSM é composta por Arnaldo Cardoso Pinho (juiz), Maria Adelaide Peres (vice-juíza), Angelina Soares Noites (1º secretário), Mário Cardoso Freire (2º secretário), José Manuel Morais (tesoureiro), Margarida Rodrigues Rocha e Maria Antónia Noites (vogais) e Maria José Mendes (suplente). Presidem à Assembleia e ao Conselho Fiscal, Carlos Teixeira de Brito e Luís Brito Lhamas, respectivamente. Roda Viva divulga a proposta da Câmara Municipal de Arouca que fundamentou a atribuição da Medalha de Mérito Municipal. MMS/RV

PROPOSTA DE MEDALHA DE MÉRITO MUNICIPAL – GRAU OURO

«Com a morte da última monja, em Julho de 1886, um grupo de distintos arouquenses tomou a iniciativa de formar a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. Ciente da importância de manter o culto da Rainha Santa Mafalda, a Real Irmandade sabia que era, isso sim, absolutamente fundamental manter o vasto e valioso espólio do Mosteiro em Arouca. Por isso, após a aprovação dos seus estatutos, procurou obter todos os reconhecimentos, quer por parte da Coroa, quer por parte da Santa Sé. A sua existência foi determinante durante a Primeira República, que advogou a separação entre Estado e Igreja, apesar de terem sido tempos de pouca atividade por parte da Irmandade. Todavia, o facto de se manter guardiã do património identitário arouquense não permitiu, mais uma vez, que este fosse levado de Arouca.

É o Museu de Arte Sacra que constitui, desde a sua fundação, a ‘joia da coroa’, não só da Real Irmandade como do Município e até mesmo do país. Fundado em 1917, remodelado e alargado em 1933, é ali que se preservam, estudam e divulgam as peças que compõem esse valiosíssimo espólio, que não só nos permite vislumbrar a dimensão da entidade Mosteiro de Arouca, especialmente nos seus tempos áureos, como também compreender o seu papel ativo nas dinâmicas da Ordem de Cister, e mesmo da história do país. Para além do culto e do Museu de Arte Sacra, é vocação da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, segundo os seus estatutos, «desenvolver todas as acções julgadas necessárias para a projecção cultural e científica do seu património», nomeadamente através de exposições de pintura e de escultura, concertos (com particular destaque para a divulgação da música antiga e para órgãos ibérico), e de conferências. Ainda segundo os seus estatutos, «a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, através das actividades prosseguidas, dos protocolos celebrados e do Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão, coopera com a administração central e com a administração local nos ensinamentos, na divulgação e no aprofundamento da cultura portuguesa», sendo disso exemplo a cooperação institucional que mantém com o Património – Instituto Público e a Câmara Municipal (nomeadamente no seio da gestão tripartida do Mosteiro de Arouca), a Santa Casa da Misericórdia e as várias entidades ligadas à dinamização cultural local, como a Academia de Música de Arouca, as bandas filarmónicas e os coros.

É Instituição de Utilidade Pública, por despacho da Presidência do Conselho de Ministros, desde 2009. Conta, atualmente, com cerca de duzentos irmãos, assumindo-se como «um espaço de promoção cultural, a partir do Museu de Arte Sacra que tem à sua “guarda e administração”, do magnífico órgão», do Cadeiral, e da Biblioteca D. Domingos de Pinho Brandão. Promove e dinamiza, este ano em estreita colaboração com a Câmara Municipal (colaboração que, desejamos, se mantenha e alargue) da Festa em Honra da Rainha Santa Mafalda, padroeira de Arouca, no dia 2 de maio, feriado municipal.

Pelo exposto, que demonstra as contribuições relevantes na área da cultura e das artes, é de elementar justiça que a Câmara Municipal de Arouca delibere favoravelmente a atribuição da Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro à Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.» [Aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 1 de Abril]

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