O segundo encontro de balanço do Qualify.teca’25, integrado no “Espaço Empresarial” da Feira das Colheitas, reuniu empresários, dirigentes associativos e especialistas para debater os desafios da fileira dos Equipamentos, Serviços e Ingredientes para a Indústria Alimentar (ESIIA), aglomerado que agrega mais de 180 empresas e representa um volume de negócios 500 milhões de euros, emprega 4.400 trabalhadores e 47% do seu volume de negócios é para exportação.
Na abertura, Carlos Brandão (foto de capa), presidente da Associação Empresarial de Cambra e Arouca (AECA), destacou que Arouca e Vale de Cambra são dos concelhos que mais industria tem da fileira e o projecto surge precisamente para dar mais conteúdo, formação ao sector, partilha de conhecimento científico, são exemplo as masterclasses e visitas tecnológicas realizadas, juntando a comunidade científica ao mundo empresarial, tendo detalhado um conjunto de actividades executadas, principais objectivos, evidenciando a progressão das várias actividades estruturantes do Qualify.Teca25. Destacou a importância das empresas em cativarem os recursos humanos. «Este projecto não ficaria completo sem o factor humano. Fala-se muito de IA e tecnologia, mas sem as pessoas, não estaria completo. É fundamental que as pessoas se sintam felizes no local de trabalho. Passamos dois terços da nossa vida a trabalhar, se não formos felizes a trabalhar, não vamos ser felizes de todo. É muito importante que os empresários estejam mentalizados para isso».
António Pinto Moreira, director-executivo da AECOA, apresentou a génese do projecto, que vem na senda do primeiro Qualify.Teca. Destacou os estudos da fileira, para maior capacitação das associações empresariais, no sentido de melhor apoiarem as empresas, a formação. O projecto abrange as regiões Norte e Centro de Portugal, metade das empresas quantificadas estão no distrito de Aveiro (ligadas à produção de vinho, leite, azeite, cereais, mel). Foi feito o estudo de maturidade digital 4.0 e 5.0, digitalização, automação, IA e qual o caminho a percorrer. Estudou-se também a área do ambiente. As empresas têm que ser competitivas, lucrativas, mas consomem recursos. Segurança, hoje neste encontro foi apresentado o estudo sobre saúde dos trabalhadores no território, é preciso perceber como está o sentimento dos trabalhadores, como ajudar as empresas a serem mais saudáveis, logo mais lucrativas.

“Bem-Estar e Felicidade no Trabalho: Pessoas que Fazem a Diferença”
Fernanda Príncipe e Manuela Ferreira, PhD da ESSNorteCVP – Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa fizeram o diagnóstico de saúde dos trabalhadores do território (Águeda, Arouca, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra). Foi avaliado o perfil de saúde, o estado psicossocial e felicidade dos trabalhadores. Com os resultados obtidos foi possível apresentar propostas de melhoria. Entenda-se que a felicidade não é algo que se viva a todo o momento, mas sim de momentos que se vão construindo. O capital humano é a maior riqueza que uma empresa pode ter. Um olhar diferenciador, não só a parte física, mas também a psicológica, sobretudo na saúde mental. Espera-se que os empresários possam perceber e sentir este valor, ou seja, os resultados nas empresas também devem estar centrados nas pessoas e criar sustentabilidade. As pessoas fazem a diferença e pessoas diferentes também fazem a diferença. É um olhar diferenciador perante o capital humano, na retenção de talento e o contributo para a felicidade no trabalho, dado que grande parte da vida do ser humano é passada a trabalhar.
Investir na saúde dos trabalhadores é investir no futuro das empresas e no futuro das comunidades. Porque, no final, empresas saudáveis são empresas mais produtivas, mais resilientes e mais humanas.
A conferência contou, ainda, com a distinta participação do vereador do Município de Arouca, António Duarte.
O seminário permitiu também destacar os impactos esperados do projecto para a competitividade empresarial e para o desenvolvimento regional, nomeadamente:
– Reforço da identidade regional e do posicionamento competitivo das Regiões Norte e Centro, com a consolidação do Pólo Aveiro–Norte como núcleo de referência da Fileira ESIIA.
– Dinamização dos ecossistemas locais, promovendo maior confiança e cooperação entre empresas, centros tecnológicos e municípios.
– Aumento da capacidade de I&D e transferência de tecnologia, facilitando parcerias entre empresas, universidades e centros de investigação.
– Melhor acesso ao financiamento nacional e europeu, dado que projetos inseridos em fileiras reconhecidas tendem a obter maior probabilidade de aprovação em sistemas de incentivo como o Compete 2030, PRR, entre outros.
– Reforço da capacidade exportadora, promovendo maior visibilidade internacional e facilitando o acesso a programas de apoio da AICEP (feiras, missões empresariais, etc.).
– Atracção de talento e qualificação da mão-de-obra, com desenvolvimento de formação especializada alinhada com as necessidades das empresas.
– Sustentabilidade e ESG reforçados, aumentando a credibilidade e capacidade das empresas para adotarem boas práticas ambientais, sociais e de governação no âmbito de uma Fileira reconhecida.
– Reforço das competências para a Inovação Aplicada, através de masterclasses dinamizadas pela Rede de Ciência e Inovação e de visitas técnicas demonstrativas a entidades de I&D.
(áreas: automação e robótica; digitalização de processos; inovação tecnológica e de processos; saúde e bem-estar no trabalho; sustentabilidade e economia circular; novos materiais e embalagens ecológicas, entre outras.)
Este programa SIAC – Qualificação, pretende reforçar a competitividade e promover novas oportunidades de negócio, apostando na inovação, na sustentabilidade e na internacionalização das empresas envolvidas. De reter que o Qualify.Teca II aposta em eixos estratégicos como a Digitalização e Indústria 4.0, a Sustentabilidade e Economia Circular, a Literacia Financeira, a Cooperação Empresarial e a Qualificação de Recursos Humanos, apoiando a modernização e o crescimento sustentado das PME da fileira ESIIA.
Trata-se de um projecto SIAC Qualificação (nr.17635), liderado pela AECOA e copromovido pela AECA e AEA. É financiado pelo ‘Portugal 2030’, no âmbito do COMPETE2030 – Programa Temático Inovação e Transição Digital, no montante de 687 684,43 euros, dos quais 584 531,77 euros são provenientes da UE/FEDER.
