Ponte Suspensa foi a testes. Resultados daqui a algumas semanas

A Ponte 516 Arouca completou cinco anos e na quinta-feira (dia 22), o imponente cenário que abraça o rio Paiva serviu de palco a rigorosos testes técnicos para avaliar o comportamento dinâmico daquela que é uma das maiores infraestruturas de suspensão pedonal do mundo. Especialistas e sensores mediram ao milímetro a estabilidade da obra, para poder garantir que o ex-líbris da região continua a projectar o território com total segurança. Resultados definitivos só daqui a umas semanas.

O Itecons, instituto de investigação da Universidade de Coimbra responsável pelo projecto, regressou ao desfiladeiro para replicar com exatidão os exames feitos antes da inauguração da estrutura. O responsável, António Pinho, explica que o objectivo central foi “verificar o comportamento dinâmico da ponte”, efectuando medições rigorosas de vibrações, amortecimentos e eventuais assentamentos para confrontar com os modelos numéricos desenvolvidos em laboratório.

Para o sucesso desta operação de alta precisão, a equipa de engenharia aplicou sismógrafos inovadores com tecnologia wireless, antenas GNSS para avaliar os deslocamentos via satélite e recolha detalhada de imagens por drone através de alvos físicos colocados na ponte.

Para a autarquia, esta operação minuciosa faz parte de uma estratégia de prevenção contínua. “Em primeiro lugar, a segurança é uma prioridade permanente no município”, assume Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal. A autarca reforça que a acção resulta directamente do plano de monitorização da autarquia, que inclui manutenções diárias, quinzenais, mensais e anuais. “Estamos a olhar para que esta continue a ser uma atracção daqui a 10, 15 e 20 anos”, vinca, descartando quaisquer problemas na manutenção actual, mas priorizando a longevidade da estrutura que atrai cerca de 100 mil visitantes por ano.

O abismo convertido em deslumbramento

Quem gere o terreno lida diariamente com a psicologia de quem decide enfrentar a altura. Hélder Fontes, coordenador do espaço nos Passadiços do Paiva e na Ponte 516 Arouca, admite que “a grande maioria das pessoas vem com algum tipo de receio para atravessar a ponte”. 

Segundo o responsável, a questão principal prende-se invariavelmente com a segurança, seguida da curiosidade caricata sobre “se andaram ali helicópteros a construir a ponte”. Contudo, o pânico inicial dá rapidamente lugar à contemplação: “a insegurança acaba por desaparecer mal entram na ponte”. “Digamos que a primeira caminhada é para explorar com calma. No regresso já quase todos os visitantes sentem-se perfeitamente à vontade”. 

Ao longo de meia década, os incidentes graves foram inexistentes, registando-se apenas um caso nos primeiros dias em que um homem ficou “um bocadinho bloqueado à saída, já quase no segundo tabuleiro”, sendo prontamente auxiliado pelos guias de serviço.


A experiência real de quem cruza o abismo confirma esta transição do susto para o encantamento

Natália Fernandes, uma das voluntarias que participou nos testes e que já repete a travessia pela terceira vez, descreve a sua vivência com entusiasmo: “Gostei muito. Tinha caminhado mais depressa se fosse possível”. 

Questionada sobre se sente algum tipo de medo ao olhar para baixo, a resposta é imediata: “Não, nada. É a terceira vez e é muito bom atravessar, uma maravilha, é espetacular e maravilhoso. Não há receio nenhum”, garantiu. 

Quem partilha do mesmo fascínio é Adriano Moreira, visitante e outro voluntário, vindo de Canelas, em Arouca. A fazer a travessia pela segunda vez, não esconde o impacto do cenário envolvente que serve de moldura à ponte suspensa: “Foi fantástico. Não tenho receio, porque isto é um prazer, ver o rio lá, naquelas profundezas e o aquele riachozinho”. SR/JN/RV

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