“O Que Vem a Ser Isto?”: livro de Simão Duarte põe a vida sob a mira do humor

A caminho dos 22 anos, Simão Duarte conta já dois livros nascidos da veia humorística com que aborda e trata a vida. Dizendo-se apreciador do conceituado humorista Ricardo Araújo Pereira, o arouquense residente em Lourosa de Campos, na UF de Arouca e Burgo, teve a primeira aparição editorial – “Rir é o Melhor Remédio e Não Está Sujeito a Receita Médica” – em 2020. Em 167 páginas, então editadas pela Cordel d’Prata, dava já sinais de profícua produtividade pelos caminhos da escrita humorística, uma redacção construída em plena adolescência e enquanto frequentava a Escola Secundária de Arouca. No último sábado, na Biblioteca D. Domingos de Pinho Brandão [por motivo das obras que decorrem na Biblioteca Municipal], no Mosteiro de Arouca, Simão Duarte foi mais longe, dando asas ao destino que o fez voar para uma segunda e arrojada publicação a que deu o título de “O Que Vem a Ser Isto?”, um conjunto de “textos escritos entre o Verão de 2019 e o final do ano de 2022”, umas impressionantes 523 páginas que, diz o autor, «são, em primeira análise, um acto de  rebeldia». O novo livro tem a chancela da editora Chiado Books e é um forte e hilariante grupo de crónicas em que Simão Duarte «aborda sem se inibir temas sérios e complexos da vida quotidiana», referiu Cláudia Oliveira, vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal de Arouca, que apadrinhou o evento literário. «É um livro que se lê muito bem, emana sensibilidade e veia humorística. Há um arrojo, um talento para ser conhecido. O Simão tem um bom humor e sabe partilhá-lo com o público. Este livro é uma dádiva, porque na vida também precisamos de rir», frisou ainda a autarca sobre a nova publicação proveniente de mãos arouquenses e promovida pelo município.


«A vida, sendo efémera, pode, com humor, ser melhor vivida»

Chegada a sua vez, Simão Duarte apresentou-se, a si e à obra, de forma humorística, em consonância com o seu estilo de estar e de pensar a vida, a própria e a dos outros. «Não saí humorista da barriga da minha mãe», disse o jovem autor, que «já na escola era um brincalhão; foi aí que acabei de escrever o quinto capítulo», confessou. «A minha inspiração vem de várias leituras que fiz ao longo dos tempos, de ler muitos livros de humor, de olhar para as coisas e as pessoas e de procurar ver nelas outras facetas, como o lado ridículo. O humor foi algo que sempre cultivei na minha vida. Sou novo, mas penso muito a vida. Nós, humanos, por vezes, temos de ter a noção do nosso ridículo. A vida, sendo efémera, pode assim, com humor, ser melhor vivida», vincou. Formado, em Coimbra, em Comunicação Social, tem no desporto, sobretudo o futebol, outra das predilecções, mas entende a virtude de separar as águas.  «Quando escrevo sobre a vida escrevo a gozar, sobre o futebol escrevo a sério. O humor tem também esse dom de criar confusão nas pessoas», referiu o autor dos cinco longos e extravagantes capítulos que compõem o “O Que Vem a Ser Isto?”: “Pequenos Textos Relativamente Desnecessários”; “Os Verdadeiros Provérbios Portugueses”; “Crónicas, Contos e Outros Testos Parvos”; “Conversas do Povo” e “Revista Cor de Rosa Choque”.


«Há um esforço evidente em falar de parvoíces»

Perseguir o futuro como humorista está ainda nos horizontes do arouquense natural do Burgo. «As áreas do futebol e do humor são hoje áreas precárias», reconhece, «mas espero lutar por isso, há todo um caminho que quero fazer; já sou muito maduro, apesar da idade. A vida de humorista é complicada, exige desafios, mas estou aberto a propostas, gosto de aparecer. Quero ter espaço para fazer o que mais gosto», projectou, sempre com a ironia na ponta da língua na interação com o auditório que se apresentou nessa tarde de sábado. «Este primeiro capítulo será uma espécie de couvert, como aquelas entradas que há nos restaurantes, porém, em vez de servir-vos patês, manteigas, queijinho, pão e azeitonas, irei fazer-vos contemplar pequenos textos que são uma pequeníssima amostra… da estupidez que a minha massa cinzenta é capaz de produzir.» «Há um esforço evidente em falar de parvoíces», escreve o criador dos textos em jeito de antecipação às expectativas do leitor. Aliás, um livro em que o próprio prefácio é já um início de comédia. Manuel Sousa/RV (texto e fotos)

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