O futuro que construímos

O início de um novo ano é sempre um momento propício à reflexão, não apenas sobre aquilo que ficou para trás, mas sobretudo sobre a forma como queremos construir o futuro coletivo, e em territórios como Arouca essa reflexão deve ser feita com responsabilidade acrescida, porque os desafios sociais, económicos, ambientais e institucionais exigem mais do que boas intenções, exigem visão, planeamento, proximidade e capacidade de executar políticas que coloquem verdadeiramente os cidadãos no centro da decisão.

Muito se tem falado de modernização, digitalização e inovação, mas o verdadeiro progresso não se mede apenas pela tecnologia adotada, mede-se pela forma como as instituições comunicam com as pessoas, pela clareza das decisões, pela transparência dos processos e pela capacidade de envolver a comunidade de forma contínua. Uma comunicação pública distante, excessivamente técnica ou meramente formal afasta os cidadãos, gera desconfiança e reforça a perceção de que as decisões são tomadas longe de quem delas é diretamente afetado, quando deveria acontecer precisamente o contrário: comunicar melhor, comunicar de forma simples e próxima, explicar opções, assumir escolhas e ouvir contributos deve ser uma prioridade política permanente.

Este princípio torna-se ainda mais relevante quando falamos de orçamentos municipais, documentos centrais para a vida do concelho, mas que continuam, na maioria dos casos, a ser pouco compreensíveis para o cidadão comum. Um orçamento excessivamente técnico e fechado sobre si próprio não promove transparência nem participação, antes reforça a distância entre quem decide e quem vive diariamente as consequências dessas decisões. Simplificar o orçamento municipal, torná-lo percetível e explicado de forma clara, não é um favor aos cidadãos, é um dever democrático, porque só compreendendo onde e como são aplicados os recursos públicos é possível participar, escrutinar e contribuir de forma informada.

Ao mesmo tempo, 2026 será cada vez mais marcado pela digitalização e pela utilização da inteligência artificial, o que representa uma oportunidade real para libertar tempo e recursos humanos das tarefas repetitivas e burocráticas, permitindo que autarquias e juntas de freguesia se concentrem no que realmente importa: o acompanhamento das pessoas, o trabalho de proximidade, o apoio às associações, às empresas e às comunidades locais. A tecnologia deve servir para aproximar instituições e cidadãos, nunca para criar novos muros.

Construir o futuro de Arouca passa, assim, por assumir uma governação mais clara, mais transparente e mais próxima, onde a comunicação é pensada para ser entendida, onde o orçamento é um instrumento de envolvimento e não apenas de gestão interna, e onde os cidadãos deixam de ser espectadores para passarem a ser participantes ativos nas decisões que moldam o território. O futuro que construímos hoje será sempre o reflexo da forma como escolhemos ouvir, explicar e decidir.

Nota final: Importa ainda sublinhar que este ano ficou marcado pelo facto de a Iniciativa Liberal passar a ter, pela primeira vez, representação na Assembleia Municipal de Arouca, sendo particularmente relevante assinalar que as intervenções do deputado eleito estiveram alinhadas a 100% com os princípios aqui defendidos, nomeadamente uma comunicação mais clara e próxima dos cidadãos, a exigência de maior transparência, a simplificação dos processos e a necessidade de tornar o orçamento municipal compreensível e acessível, demonstrando que colocar o cidadão no centro da decisão pode e deve traduzir-se em prática política concreta. Valter Cruz

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