É inegável a notável projecção que a família Pinho deu ao principal clube do concelho. Aos 37 anos, Joel Pinho continua a ser o braço direito do pai e presidente Carlos Pinho, empresário que gere o FC Arouca desde 2006. Em entrevista à Revista Lobos – uma produção do departamento de comunicação dirigido por André Nogueira – Joel Pinho faz uma retrospectiva do seu percurso profissional, desde os tempos em que era jogador até à actual carreira como director-geral do FC Arouca.
Do incentivo do mestre Vitor Oliveira à liderança do futebol
A paixão pelo futebol esteve sempre dentro da família, que acompanhava o clube todos os fins-de-semana nos campeonatos distritais da AF Aveiro. Tudo haveria de mudar a partir da época 2006/2007, quando o FC Arouca se sagrou campeão distrital e voltou à então 3ª Divisão Nacional. A partir daí foi sempre a subir, um percurso que Joel Pinho foi seguindo como jogador da formação e do plantel sénior. Uma curta carreira nos relvados porque o sentido de liderança falou mais alto e levou o dirigente a assumir pela primeira vez a pasta de director desportivo na época 2012/2013, uma temporada impactante consubstanciada na extraordinária subida do clube à I Liga portuguesa, sob o comando do treinador Vitor Oliveira. “Um mestre do futebol”, recorda Joel Pinho, do qual recebeu o maior dos incentivos: «Durante uma conversa com o mister Vitor Oliveira, este confidenciou-me que via em mim um director desportivo nato, que tinha experiência nos mais diversos escalões, e porque via em mim um forte sentido de liderança e de perspicácia. Palavras dele, não me interpretem mal. Mas que muito me lisonjearam, e que resolvi realmente considerar», lembra.

Vestir a camisola do clube com absoluta devoção
As premissas para dar passos em frente estavam dadas. Até hoje. «O sucesso de um director-geral no mundo do futebol não tem grandes segredos nem fórmulas pré-concebidas, requer características específicas. Tem de haver autenticidade e empenho. Se não vestes a camisola do teu clube com absoluta devoção, então devias dedicar-te a outra actividade», frisa Joel Pinho.
«É elementar a presença na Primeira Liga»
A ascensão meteórica do FC Arouca dos distritais até às competições europeias tem uma razão. «Explica-se com trabalho. Não caiu nada do céu. Ter um grupo competente no relvado e outro no escritório também foi determinante», continua o dirigente, que aponta a audácia e a ambição dos lobos nas conquistas alcançadas. «Somos do tamanho da nossa ambição, não da nossa localização geográfica. As barreiras que eventualmente havia para derrubar já foram derrubadas. Agora é seguir com audácia», destaca ainda. Sem definir outros objectivos possíveis, o director-geral do FCA assume um deles como vital para a estrutura do clube – «é elementar a presença na Primeira Liga».
«É preciso perceber o quão é difícil é atingir este feito e a importância que tem para o concelho»
Um patamar que é um constante desafio e um apelo à coragem de um clube inserido numa vila do distrito de Aveiro, em comparação com os restantes emblemas que disputam a mesma divisão. «O FC Arouca cresceu muito rápido. Há de facto sectores da comunidade que ainda não perceberam o que é estar na Primeira Liga, na elite do futebol português. O quão difícil é atingir este feito e a importância que tem para o concelho», explica, enaltecendo ainda outra das pedras basilares do sucesso – «a familiaridade existente na direcção é um dos segredos do sucesso».
«Já demonstramos que somos capazes de dar a volta a situações difíceis»
Joel Pinho aborda ainda de forma optimista o futuro do FC Arouca na I Liga, não obstante a posição (16ª) que a equipa ocupa na tabela classificativa. «Podemos estar seguros que os objectivos traçados no início da temporada estão a ser perseguidos e vamos posicionar-nos onde é preciso para que sejam conseguidos. Já demonstramos muitas vezes, em situações mais difíceis, que somos capazes de dar a volta à situação. O nosso futebol está a aprimorar, está a ganhar magia. O Arouca vai continuar a crescer. Continuemos juntos», projectou o director-geral dos lobos arouquenses, um mundo de coragem, força e lealdade.

Outras atracções
Entre outras atracções, a Revista Lobos reserva ainda mais três entrevistas, uma a Paulo Santos, treinador da equipa do FC Arouca Futsal, a outra ao ex-jogador Marco Soares e, por fim, ao jogador do plantel sub-19, Bruno Duarte, conhecido no mundo do futebol como Batata. A cumprir a sexta temporada ao serviço da formação do FC Arouca, o jovem futebolista tem privado com os craques da equipa principal ao participar nos trabalhos da pré-epoca e nas chamadas aos treinos semanais dos profissionais conduzidos por Vasco Seabra. MMS/RV (fotos: Pedro Fontes/FCA)