O FC Arouca, representado pelo director-geral Joel Pinho, participou no Portugal Football Summit, a cimeira internacional organizada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que decorre na Cidade do Futebol, em Oeiras. A cimeira assume-se como um espaço privilegiado para a inovação, debate e desenvolvimento da indústria do futebol.
Ontem, 23 de Setembro, o dirigente arouquense integrou, com representantes do Marítimo e do SC Braga, um painel focado no impacto dos custos de contexto — como o crescimento, a centralização e o peso das deslocações — no quotidiano e na sustentabilidade financeira dos clubes de futebol.
Joel Pinho, director-geral do FC Arouca, abordou o crescimento a pulso do clube e como isso levou o emblema a adaptar-se. «Tivemos de nos reinventar a cada dia. Trabalhamos de uma forma diferente dos outros clubes. Com a evolução, fomos aprendendo. Estamos num período de maturação. Isso dá-nos suporte para passarmos para um nível superior. O FC Arouca está nessa fase, de passar para esse nível», disse o dirigente, que referiu a oferta de bilhetes a alunos das escolas da zona como medida para criar uma base de adeptos.
Carlos André Gomes, presidente do Marítimo, destacou o impacto das deslocações do clube insular, que sai da Madeira em 16 das 34 jornadas do campeonato. «É um custo muito elevado e torna-se mais elevado quando olho para o universo do Marítimo, não só do futebol, que tem 400 a 500 pessoas a viajar por mês. Isto exige um fundo de caixa muito grande, desafios financeiros muito grandes e que têm sido ultrapassados através deste projeto», afirmou.
Cláudio Couto, vice-presidente do SC Braga, referiu, entre outros exemplos, a questão cultural. «A mentalidade do país, e refiro-me a todas as forças vivas nacionais, de existirem os três grandes e depois os outros clubes acaba por ser, por si só, um custo de contexto. Um clube como o SC Braga, para crescer, tem de ‘pedalar’ mais do que SL Benfica, FC Porto ou Sporting CP. É o grande desafio e a grande barreira que temos de ultrapassar», mencionou.

O tema da centralização dos direitos televisivos também esteve em palco
Carlos André Gomes relembrou que não apoia o modelo apresentado e afirmou que o futebol português dá «tiros nos pés» no que respeita à venda do produto. Joel Pinho ressalvou que, sendo este um projecto fundamental, não é uma «bolha de salvação». Cláudio Couto declarou-se a favor da centralização, que diminui o fosso entre os clubes do topo da tabela e os outros, mas garantiu que, por si só, «não resolve nada», realçando a necessidade de «internacionalizar o produto». Para tal, é preciso «valorizá-lo e melhorá-lo». A pirataria foi um tema consensualmente visto pelo painel como impeditivo do crescimento do futebol português.
O Portugal Football Summit 2026 reúne grandes figuras e instituições do futebol nacional e internacional estende-se de 23 a 25 de Setembro. MMS/RV (fonte: Comunicação FPF)