O Mosteiro de Arouca acolhe, até 5 de Abril, uma exposição de pintura do artista plástico Francisco Badilla. A exposição estará patente no espaço anexo à recepção do Mosteiro de Arouca e foi promovida pelo Agrupamento de Escolas de Arouca, no âmbito do programa de actividades da Semana das Artes, com o apoio institucional do Mosteiro de Arouca.

Do Chile para Nova York, dos EUA para Portugal
Francisco Badilla nasceu, em 1974, no Chile, onde se licenciou em Educação Artística e Belas Artes, na Universidade Católica de Temuco. A continuidade da vida artística e académica desenvolveu-se nos Estados Unidos da América, tendo cursado Desenho e Pintura na conceituada academia The Art Student League of New York. Paralelamente, trabalhou como professor de desenho e pintura e, em 2018, decidiu viajar para Portugal e instalar-se na cidade do Porto, para acrescentar as qualificações de mestre em Artes Plásticas na prestigiada Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Vencedor de vários prémios, o pintor, já radicado em Portugal, tem participado em workshops e em exposições nacionais e internacionais. Paralelamente, gere um atelier no qual desenvolve os seus projectos e dá aulas de desenho e pintura a dezenas de aprendizes de várias nacionalidades.
Exposição juntou estudantes, a obra e o artista
A inauguração teve a presença da direcção do agrupamento escolar, Júlio Caseiro, do departamento curricular de Expressões e Tecnologias, Carla Monteiro, da coordenação do Plano Nacional das Artes, Carlos Gomes, da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, José Morais, e da Câmara Municipal, vice-presidente Cláudia Oliveira.
O evento constituiu-se ainda como uma preciosa oportunidade de alunos de vários ciclos contactarem com as obras e o mestre em realismo contemporâneo, «cujas principais motivações são o corpo humano, o espaço arquitetónico interior, o desenvolvimento espiritual das personagens, as ideias de sublime e contemplação.»

«O REALISMO É A LINGUAGEM QUE MAIS ME CARACTERIZA»
Concluído o acto inaugural, Francisco Badilla acedeu transmitir a sua perspectiva sobre a nova etapa pessoal e profissional em Portugal.
Que significado tem para si voltar a Arouca, para partilhar com alunos a Semana das Artes?
«Já visitei Arouca algumas vezes. Gosto muito do Arouca, tenho assistido à Recriação Histórica, tem um Mosteiro de que eu gosto imenso, dispõe ainda de uma gastronomia e paisagens que aprecio. Por isso, faz muito sentido para mim voltar a esta localidade, até porque também alguns dos meus quadros são inspirados no Mosteiro de Arouca. Acho este mosteiro espectacular, deu-me muitas ideias para o meu imaginário de pintura. Também já fui professor, actualmente dou aulas de desenho e pintura no meu atelier, pelo que é uma satisfação para mim poder partilhar estas experiências com jovens de Arouca, é algo em que me sinto muito bem.»
No que respeita ao seu estilo artístico, porquê a inclinação pelo realismo?
«Quando era mais novo, desenvolvi pintura abstrata, mas o realismo contemporâneo é a linguagem que mais me caracteriza. Gosto da imagem, gosto do desafio que é a construção da imagem e acho que consigo criar o meu conceito de uma maneira mais directa, aliás, até para comunicar com as pessoas. Aprecio o realismo e a pintura clássica, mas eu tento misturar, introduzir conceitos contemporâneos, algo que nos traz para a nossa realidade actual. Não é uma brincadeira, há conceitos que ultrapassam os séculos.»
Viveu no Chile, passou por Nova Iorque e está agora radicado em Portugal. Viver em diferentes contextos socioculturais teve impacto na sua evolução artística?
«Sim, exatamente. Formei-me em Belas Artes no Chile, tenho ainda essa ligação com a natureza porque eu sou do Sul, perto da Patagónia, a natureza é muito verde e um bocadinho selvagem. Ainda trago no meus quadros um bocado dessa ideia de contemplação. Em Nova York desenvolvi mais a pintura, a técnica, explorei a técnica do realismo e nunca mais parei. Depois, vim para Portugal, para realizar um mestrado em pintura na muito conceituada Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Acabei por ficar, pois foi cá que também conheci a minha companheira e criei o meu ateliê, onde ensino desenho e pintura.»
Agora, que tem alguma experiência de Portugal, que noção tem da arte e dos apoios à arte?
«Tenho a impressão que Portugal tem mais tradição da pintura do modernismo, da arte abstração. Mas acho que está a mudar, o realismo está a tomar força, está a criar-se um movimento de arte realista profissional forte, como aconteceu há muito tempo na Espanha e nos Estados Unidos. Em termos de apoios, acho que a arte nunca tem o apoio que deveria ter, não só do governo como das instituições privadas. No meu caso, continuo a desenvolver a minha arte e a minha vida, mas também realizo trabalhos por encomenda e tenho o meu atelier, são complementos da vida de artista.»
Inaugurada nos princípios deste mês, a exposição integrada na Semana das Artes transformou-se num espaço pedagógico enriquecido pela presença do artista chileno no diálogo estabelecido entre a sua obra e os jovens estudantes da escola arouquense. MMS/RV
