A reunião do executivo camarário de 18 de Agosto trouxe uma novidade aos vereadores presentes, e respeitante ao concerto cancelado de Rui Veloso na Feira das Colheitas de 2025 – foi solicitada, a 11 de Agosto de 2026, pela agência do cantor, «indemnização pelos prejuízos do cancelamento, no próprio dia, uma vez que tinha já mobilizado todos os meios necessários à realização do mesmo, suportando os encargos decorrentes dessa mobilização». Os vereadores da maioria e presidente votaram a favor e atribuíram um valor compensatório de 15 mil euros à empresa que se dizia lesada.
Votando contra, a representante da oposição social-democrata, Célia Alves, deixou em acta uma declaração do seu voto: «Quando o concerto foi cancelado em 27 de Setembro de 2025, a Câmara Municipal comunicou publicamente o adiamento para 2026, sem qualquer referência a indemnizações. Esta comunicação criou a percepção clara junto do público de que se tratava de um adiamento, não de cancelamento com responsabilidades financeiras. Agora, poucos dias antes do novo evento, surge o pedido de indemnização. Esta cronologia revela falta de transparência, pressão temporal e mudança de narrativa. Se havia direito a indemnização, porque aguardar um ano? O pedido chega quando a câmara está comprometida com o reagendamento. Mais, nenhuma reserva foi feita no orçamento municipal de 2025 ou 2026 para cobrir esta despesa. A indemnização surge como custo surpresa um ano depois. Isto viola princípios elementares de gestão pública: orçamentos não devem ser surpreendidos com obrigações não previstas, decisões sobre responsabilidade financeira devem ser tomadas no momento do cancelamento, não um ano depois, e a população merecia saber em 2025 se isto custaria dinheiro público. Acresce que, na reunião de câmara de 2025, seguinte ao cancelamento, a presidente de Câmara afirmou que não haveria indemnização. Ainda que informalmente, isto representa compromisso político. Aceitar agora contradiz a palavra dada ao eleitorado, a gestão responsável de expetativas e a consistência da administração. (…) O cancelamento revelou fragilidade estrutural: a ausência de auditório coberto em Arouca. Se o Município tivesse espaço alternativo, o evento não seria cancelado e não haveria esta situação. O investimento em infraestrutura cultural é solução a longo prazo, não o pagamento de indemnizações retroactivas». Da parte da maioria PS não houve troca de argumentos.
Rui Veloso é novamente o cabeça-de-cartaz musical da edição 2026 da Feira das Colheitas, com concerto marcado para a noite de sábado, dia 26 de Setembro. JCS
