O Município de Arouca vai reunir os protagonistas do canto popular polifónico no 1.º Encontro Municipal de Canto a Vozes, que vai decorrer este sábado, 7 de Fevereiro, a partir das 14h15, na Biblioteca D. Domingos de Pinho Brandão – Mosteiro de Arouca. A entrada é livre.
O programa inclui a exibição do documentário “Volta a Arouca em 80 vozes”, realizado por Tiago Pereira em 2022, no âmbito da exposição temporária “Vergílio Pereira e o Cancioneiro de Arouca”, a atuação das Cantadeiras do NEFUP – Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto e a oficina “Vozes de Arouca” – Capacitação para o canto. Contempla também a comunicação “Canto a Vozes de Mulheres – Candidato a Património da UNESCO”, pela associação Fala de Mulheres, e a atuação dos alunos do Polo Escolar de Moldes com as cantadeiras do Conjunto Etnográfico de Moldes, no âmbito do projecto educativo “Botar Cantas na Escola”.
O 1.º Encontro Municipal de Canto a Vozes de Arouca integra o projeto “Vozes da Terra”, que visa a valorização e salvaguarda do Canto a Vozes de matriz rural.
“Vozes da Terra”: um projecto de revitalização do Canto a Vozes de Mulheres
Dezoito Oficinas de Canto a Vozes, duzentas e trinta e duas sessões do projecto educativo “Botar Cantas na Escola” a acontecer nas escolas com alunos do 1.º Ciclo, um Concerto Comunitário e Intergeracional envolvendo mais de meia centena de participantes e dois Encontros Municipais de Canto a Vozes de Arouca, são as acções que sustentam este projecto de valorização e salvaguarda do canto popular polifónico, em Arouca, que arranca já este sábado, 7 de Fevereiro, e se prolonga até Junho de 2027.
Inscrito no Inventário do Património Cultural e Imaterial (INPCI), o Canto a Vozes de Mulheres, em Arouca, é comummente conhecido como «Cantas» e a sua prática como «Botar Cantas». O seu alto valor histórico, patrimonial e identitário impele o Município de Arouca a procurar estratégias que evitem a perda desta manifestação, fortemente marcada pelo desaparecimento dos contextos onde este Canto acontecia de forma espontânea, consequência da evolução do mundo rural nas últimas décadas.
Identificar e incentivar os praticantes do Canto a Vozes de Arouca, enquanto portadores de património, para serem agentes activos de salvaguarda; potenciar o aparecimento de novos praticantes; assegurar a transmissão da prática de “Botar Cantas” às gerações mais jovens promovendo a Educação pelo Património e a Escola como um novo contexto para transmissão oral das Cantas são alguns dos objetivos do “Vozes da Terra”.
Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal, sublinha que há vários anos que o Município, através do Museu Municipal, tem vindo a trabalhar na salvaguarda do canto polifónico feminino, nomeadamente através de acções de sensibilização e capacitação das gerações mais novas, dando o exemplo do “Botar Cantas na Escola”. “Com o envolvimento das cantadeiras dos grupos folclóricos locais, bem como de outras de grupos informais da comunidade, temos levado o canto polifónico feminino às nossas escolas do primeiro ciclo e jardins-de-infância, lançando, assim, a semente para que futuras cantadeiras surjam.”
Acreditando “na força mobilizadora das comunidades locais para lutar pela salvaguarda deste património”, a autarca assegura “Arouca tudo fará para que o Canto a Vozes de Mulheres alcance o reconhecimento internacional da UNESCO enquanto Património Imaterial da Humanidade”. Acredita, ainda, que “a abundância e riqueza deste património que surpreendeu Vergílio Pereira, na década de 1950, quando calcorreou Arouca ao serviço da Junta de Província do Douro Litoral para produzir o Cancioneiro de Arouca, será redescoberta e confirmada, setenta anos depois”.
O projecto municipal “Vozes da Terra” é apoiado pelo Programa NORTE2030, no âmbito do Portugal 2030, com cofinanciamento da União Europeia, através do FEDER. Tem um custo total elegível de 49.484,00€, financiado pelo EU no valor de 32.164,60€. GCCMA