A “Voz de Mulher” de Arouca marca a edição deste ano da Feira das Colheitas, que se iniciou hoje e que decorrerá até ao final de domingo, na vila capital do concelho, com a expectativa de que irá atrair cerca de 300 mil visitantes.
Na abertura formal, e em Ano Internacional da Mulher Agricultora, a presidente da Câmara, Margarida Belém, destacou as Cantadeiras que «elevam bem alto o canto polifónico» do concelho – que almeja ser património imaterial da humanidade – e vincou o papel feminino consagrado na História arouquense: no Mosteiro, na Rainha Santa Mafalda e suas Monjas, que tiveram papel relevante «na construção deste território».

O grande evento da identidade arouquense apresenta a cultura e as tradições, convidando a ouvir as histórias e a provar a gastronomia e os produtos mais típicos deste território. Locais e visitantes têm ao dispor feiras, exposições, folclore e etnografia, e não faltam os concursos agrícolas, um desfile etnográfico, os concertos com nomes sonantes do panorama musical português e as actividades para crianças.
A autarca deu a partida para este «tempo de colheita» e de «celebrar a terra» arouquense e a sua «memória», num «encontro da comunidade consigo própria».
Sublinhou que, à organização tutelada pela Câmara Municipal, se juntou o labor intenso da sociedade civil, que, «em muitos meses de trabalho» construiu «uma festa» tanto mais de Arouca quanto os arouquenses, seguros das suas raízes e da sua identidade, saberão bem acolher quem visitar a vila.
Álvaro Santos, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, reconheceu na Feira das Colheitas «uma das maiores celebrações» identitárias realizadas em terras nortenhas.
Indo à história do evento, considerou que deu provas da sua «capacidade de evoluir», mantendo o que é mais característico do território que representa, nomeadamente a ligação à terra, às suas tradições e à cultura que delas emanou.
O representante do estado central acentuou que a permanente luta por «coesão territorial» implica a criação de «condições» para uma proposta de qualidade de vida que mantenha e fixe populações. Disse que «a preservação de uma paisagem agrícola, de uma raça autóctone e de uma técnica de cultivo» são caminhos para «uma economia sustentável», com nota de que o concelho de Arouca tem sido «um exemplo» neste domínio.

Em conversa com a imprensa, o presidente da Cooperativa Agrícola de Arouca, Joaquim Reis, referenciou um “campo” arouquense que, se tem vindo a perder agricultores a tempo inteiro, em especial na zona serrana e no sector pecuário, tem ganho agricultores a tempo parcial, que trabalham os seus «quintais» de onde tiram frutos e legumes que – em tempos de carestia – ajudam a manter equilibrada as bolsas familiares.
Realçou que a alta no preço de combustíveis, de fertilizantes e de outras matérias-primas tem prejudicado o sector, enfatizou que, na floresta, os tempos também não correm de feição ao produtor.
«Quem ganha são os madeireiros», testemunhou. AOS/DA