Alunos da Escola Secundária de Arouca conquistam prémio mundial de Robótica nos Países Baixos

Uma equipa formada pelos alunos Gonçalo Santos e Paulo Pinto, do 12º ano do Curso Profissional de Técnico de Electrónica e Telecomunicações, e o seu mentor, professor Sérgio Postilhão, conquistou o 1º prémio no concurso mundial de Robótica – o “RoboCupJunior 2024″ – que se realizou na cidade de Eindhoven, nos Países Baixos, de 17 a 21 de Julho. O evento reuniu mais de 2500 participantes de cerca de 40 países dos cinco continentes e é considerado o mais emocionante do mundo dos robôs autónomos. A equipa arouquense superou com sucesso os testes individuais e colectivos que durante os cinco dias de competição puseram à prova os protótipos criados na escola e repartiu com uma equipa croata o primeiro lugar na modalidade de “Busca e Salvamento – Labirinto (RESCUE MAZE)”. «Numa catástrofe, o robô tem que detectar as vítimas, saber o nível de gravidade e largar um ou mais kits, consoante esse grau de gravidade. São protótipos, muitas empresas estão presentes neste tipo de eventos para observar os modelos apresentados por escolas e universidades e colher novas ideias», explicou ao RODA VIVA o professor da componente tecnológica do curso ministrado na escola-sede do Agrupamento de Escolas de Arouca. As aprendizagens obtidas no curso profissional e estimuladas num Clube de Robótica que a escola vem desenvolvendo vão dando frutos. O bom desempenho no concurso nacional “RoboCup Junior de Paredes de Coura 2024” foi o passaporte para o mundial de Eindhoven, mas, além das participações em provas nacionais, o AE de Arouca conta ainda três apuramentos para os Concursos Europeus de Robótica – “European RoboCup Junior” – que se realizaram na Alemanha (Hannover 2019), em Portugal (Guimarães 2022) e na Croácia (Varaždin 2023).

Vencedores

«Foi uma experiência única, muito especial para nós»

«Quando surgiu no ecrã gigante o nome da nossa equipa foi emocionante. Não estive no concurso nacional, porque nessa altura estava em Espanha num estágio Erasmus. Fui a este mundial como capitão de equipa, num evento em que a língua inglesa é factor preponderante. Estava num ambiente que não conhecia e tive de me adaptar. Foi uma experiência única porque consegui juntar os conhecimentos técnicos que aprendi no curso ao longo de três anos com a cultura geral, como o uso da língua inglesa. Juntar todas estas competências para ganhar uma prova internacional foi algo muito significativo e especial para nós», começou por contar ao RODA VIVA o estudante Paulo Pinto, residente na freguesia de Moldes. Já com uma “carreira” de participações encetadas no 10º ano, nos “RoboCup Junior” de S. Maria da Feira, Tomar e Paredes de Coura, Gonçalo Santos destacou a presença inédita. «Esta foi diferente, porque levou-nos ao mundial. É uma oportunidade preciosa de, em contexto internacional, ver outros robôs, outras equipas, é um intercâmbio que nos ajuda a tirar novas ideias, a resolver problemas e a progredir nos conhecimentos», frisou o estudante da freguesia de Urrô, que viu compensadas as expectativas: «Eu já tinha comentado que só ia ficar feliz se fosse a um europeu ou a um mundial de robótica.» Atento às circunstâncias, o colega Paulo desvenda uma das variáveis que mais incentivou o sucesso. «Também aprendemos com os erros que os outros fazem. Isso foi muito importante nesta nossa caminhada no mundial. Vimos muitas equipas com dificuldades em trabalhar em equipa. Tivemos a sorte de encontrar uma equipa – a da Croácia – muito receptiva e com quem articulamos muito bem. Havia equipas com bons valores individuais, mas que colectivamente não funcionaram.»

Modelos

«Este prémio mostra que aquilo que aprendemos valeu a pena»

Paulo e Gonçalo têm 17 anos e à necessidade de alinharem com o projecto que tinham em mãos, tiveram de a conciliar com outras exigências requeridas pelo curso, tais como a apresentação da Prova de Aptidão Profissional (PAP) e a realização da Formação em Contexto de Trabalho (FCT). «Conseguimos gerir o tempo da melhor forma e conseguimos trazer um bom resultado, histórico para nós e para a escola. Este prémio mostra que aquilo que aprendemos valeu a pena, o curso profissional tem objectivos, é uma ideia para o futuro», acrescentou Gonçalo, que, entretanto, foi alterando perspectiva com que a princípio abordou a opção vocacional após o 9º ano. «Estava com alguma desconfiança relativamente ao curso, mas assim que entramos nas aulas de programação comecei a ganhar outro interesse.» «Há quem diga que os cursos profissionais são fáceis, mas na realidade não é assim. O currículo tem também disciplinas de grau de dificuldade elevada. Tenho um gosto especial pela programação.» Uma definição de opções e gostos que o colega Paulo reforça. «Sempre tive o gosto por estas áreas e o curso de Electrónica e Telecomunicações foi escolha minha. Achei que não me ia encaixar a cem por cento num curso científico-humanístico. O curso correu-me bem e este prémio vem confirmar que há três anos fiz a escolha certa. Estes cursos têm uma grande componente prática», realçou.

Professor e alunos

«É um curso muito concorrido»

Ainda a terminar o estágio em empresas parceiras da escola, os vencedores em Eindhoven não quiseram adiantar ideias quanto ao futuro que querem empreender, numa via que deixa a porta aberta ao prosseguimento de estudos pós-secundário, bem como ao ingresso no mercado de trabalho. «O Curso de Técnico de Electrónica e Telecomunicações é um curso muito concorrido e com uma taxa de empregabilidade elevada. Muitos dos conceitos de robótica dos alunos são adquiridos na componente tecnológica do curso. Temos bastantes empresas a necessitar deste tipo de técnicos. Muitas vezes os alunos não seguem para o mercado de trabalho porque não querem. Outros preferem outro registo, como seguir para o ensino superior», refere o professor Sérgio Postilhão. «O Clube de Robótica da escola está aberto a todos os alunos, mesmo dos cursos científico-humanísticos que se interessem por este tipo de conteúdos», esclarece o docente, que aponta ainda às virtudes da participação internacional dos seus pupilos. «Encontramos jovens nacionais e estrangeiros já com muito currículo neste tipo de concursos. Esta competitividade é saudável, mas exige constante actualização, todos os anos temos de criar novos robôs, criar modelos cada vez mais eficazes», referiu.

«A participação no evento contou com apoios limitados, com a escola a cobrir as despesas (inscrição, viagens e alojamento), com o apoio dos seguintes parceiros: as empresas JPM, Chatron e Tecnocon SA.», referiu a direcção do agrupamento escolar. Segundo apurou RODA VIVA, a escola solicitou um apoio à Câmara Municipal de Arouca, mas a resposta foi negativa.

Com a equipa croata

«A escola dá oportunidade aos alunos de viverem novas experiências sociais e de aprendizagem»

Amélia Rodrigues, directora do AE Arouca, comentou o feito alcançado pela equipa nos Países Baixos.

«É com muito orgulho que vejo os alunos terem conseguido este prémio. O clube de Robótica tem alcançado, ano após ano, mais e melhores resultados. Fiquei muito surpreendida quando o professor Sérgio [Postilhão] me ligou para me dar conhecimento de que tinham obtido o primeiro prémio num concurso de nível mundial. É o reconhecimento de todo o trabalho que é desenvolvido não só por esta equipa, mas pelos professores e alunos desta área da electrónica. Fico muito satisfeita por a escola dar oportunidade aos alunos de viverem novas experiências sociais e de aprendizagem, de estarem em contacto com equipas nacionais e internacionais e de se enriquecerem com essas dinâmicas.  Há nestas participações um valor acrescentado em termos de desenvolvimento pessoal e cívico – o poder ir mais longe, abrir novos horizontes. É um orgulho para mim, para a escola e penso que também para Arouca. Para além de levar o nome do agrupamento, leva também longe o nome de Arouca. Esta presença internacional só foi possível com os recursos do agrupamento e a ajuda de alguns parceiros do nosso meio empresarial, a quem agradecemos», disse a docente. Manuel Sousa/RV

O troféu
Na direcção da ESA

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