ELÍSIO AZEVEDO
 
Tempos de outro tempo
 
OPINIÃO | O antigo Grémio nasceu com um quadro de pessoal reduzido ao gerente, guarda-livros e dois escriturários
 
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Em 28 de Outubro de 1941 tomou posse a primeira direcção do Grémio da Lavoura de Arouca, que seria extinto por despacho conjunto dos Ministérios da Agricultura e Pescas, Comércio e Turismo e do Trabalho, datado de 1 de Julho de 1977, sendo "transferidos para a Cooperativa Agrícola de Arouca, S.C.R.L. todos os bens, direitos e obrigações do extinto Grémio da Lavoura de Arouca", que ficou "com o encargo de garantir a continuidade de todos os serviços que o Grémio prestava aos seus associados".
A primeira direcção do organismo, constituída pelo dr. Alberto Gomes de Oliveira, dr. Albino Brandão de Sousa e Vasconcelos e Justino Gomes Teixeira, tomou posse no dia 28 de Outubro de 1941, mas, segundo o primeiro Relatório apresentado pelo Organismo em 1942 "... os últimos meses desse ano não acusaram qualquer resultado prático, destinando-se apenas à organização dos serviços de Escritório, Tesouraria e outros necessários ao natural funcionamento do Grémio".
Findo, porém, o primeiro ano de actividade, a direcção do organismo afirma não cometer qualquer
exagero ao declarar que os seus esforços, "durante o curto lapso de tempo decorrido, desde a fundação
deste organismo, foram sempre orientados por uma grande e sincera boa-vontade de sermos prestáveis
aos que vivem da terra".
Com um quadro de pessoal reduzido ao gerente, guarda-livros e dois escriturários, uma das grandes preocupações desses primeiros tempos foi a melhoria e preservação da raça arouquesa e "a questão dos lacticínios, cuja solução não foi encontrada ainda, dum modo satisfatório, em parte alguma".
Para isso, o organismo desenvolveu todos os esforços para fundar "uma cooperativa de lacticínios, como tábua de salvação em que todos" depositavam "as melhores esperanças".
No primeiro ano de funcionamento, o Grémio, como era conhecida a instituição, teve um resultado líquido de 131.199$95 e apresentou uma curiosa relação dos produtos vendidos, num valor de 242.001$92, o lucro obtido por cada quilo desses mesmos produtos. A maior margem de lucro obtido foi no sulfato de cobre, $38,7 por quilo e mais reduzida, $07 (menos de um tostão por quilo como então se dizia), no enxofre.
Independentemente destas pequenas curiosidades que hoje nos surpreendem (o gerente do Grémio ganhava 6.000$00 por ano, dois euros e meio por mês, e o guarda-livros 2.700$00), a grande preocupação dos responsáveis pelo organismo era o desenvolvimento da agro-pecuária, sobretudo dos lacticínios e nisso se empenharam desde o princípio.
Foi assim que, pouco tempo volvido, em 10 de Março de 1944, um pequeno grupo de agricultores se reuniu no salão nobre dos Paços do Concelho para assinar a escritura de constituição da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Lacticínios de Arouca, com sede na freguesia de Rossas, mais tarde transferida para a sede do concelho.
Mas não se ficou por aqui a acção do organismo que, criada a cooperativa, se empenhou directa e indirectamente, em ir mais além - no dia 23 e Março de 1962, no Cartório Notarial de Arouca e perante o notário Henrique de Brito Câmara, foi assinada a escritura de fundação da Lacticoop - União das Cooperativas de Lacticínios de Entre Douro e Vouga, a qual foi subscrita pela Cooperativa Agrícola dos Produtores de Lacticínios de Arouca, a Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Vale do Vouga e a Cooperativa Agrícola de Lacticínios de Sanfins.
O Grémio da Lavoura de Arouca foi extinto, mas independentemente de tudo e de todas as conotações políticas, deixou uma história e um legado - a Cooperativa Agrícola de Arouca e a Feira das Colheitas, cuja primeira edição se realizou em 22 de Outubro de 1944, o mesmo ano da fundação da Cooperativa.
Passados que são 75 anos, seria uma ingratidão negá-lo e uma injustiça esquecê-lo.
 
Arouca

Quarta, 20 de Fevereiro de 2019

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