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CÁTIA CARDOSO
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516 emoções
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OPINIÃO | Os últimos executivos socialistas foram alvo de inúmeras críticas pela aposta no turismo
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Primeiro, o receio, a preocupação com as questões ambientais, a desfiguração da paisagem - esta questão ainda dói, um bocadinho - o desconforto das enchentes de gente, a fazer lembrar os Passadiços de 2015 - mas, agora, já nem sabemos bem o que são aglomerados de pessoas. Entretanto - pois de nada vale a negação - começa a aceitação e, então, outro receio: o de a atravessar. É que a ponte suspensa, no Vau, já é relativamente desconfortável, imagine-se a maior do mundo. Eis, pois, chegado o momento em que temos oportunidade de estrear a 516 Arouca. Afinal, é até mais confortável do que a do Vau, pois é mais estática, não criando qualquer desconforto ou enjoo, contradizendo assim muitos vídeos e fotografias em circulação. E a paisagem compensa realmente. Só de ver o que dali se vê surgem logo centenas de emoções. E, rapidamente, voltamos a ser notícia em todo o mundo, por boas razões. Não apenas pela dimensão da estrutura, impressionante, mas pelo significado desse facto. Estamos perante um grande passo nasólida estratégia que o município de Arouca assumiu e que não começou, aliás, no atual mandato. O pelouro do turismo, assumido por Margarida Belém, alavancou um desenvolvimento social, cultural e económico nunca antes visto. Simultaneamente, fomentou-se o sentido de pertença em relação ao nosso património natural e desenvolveram-se as possibilidades de o dar a conhecer ao mundo. É, hoje, inegável que as políticas implementadas no setor do turismo trouxeram vantagens para Arouca e para arouquenses, sobretudo para áreas como a restauração e o alojamento, espevitando ainda o empreendedorismo local, com a criação de novos projetos e ofertas diferenciadas, tanto para quem vem como para quem vive no concelho. Nesse sentido, os últimos executivos socialistas (sobretudo o atual e o anterior) foram alvo de inúmeras críticas pela aposta no turismo, fosse pelos investimentos em causa ou pelos projetos em si, ainda que, por diversas vezes, tenham dito, inclusivamente outros partidos, que concordavam com a aposta no turismo, mas não com a aposta socialista no turismo. É normal. Certamente, não sonhariam tão alto. Mas, quem poderia sonhar? Quem poderia sonhar com um soberbo destaque internacional, desde 2015? (Não vou falar sobre prémios, porque, como se tem visto nos últimos dias, nem só de prémios se faz o reconhecimento ou a divulgação.) Quem poderia sonhar com algo tão grande que fosse apresentada como "maior do mundo"? Quem poderia, pois, sonhar com uma Arouca mundialmente (re)conhecida e com pessoas de todas as partes a quererem visitar este concelho que, outrora, era ignorado nos mapas? Há 10 anos, seria mesmo um sonho. Só que houve quem ousasse transformar o sonho em trabalho e concretizar políticas efetivas de valorização e divulgação do território, o que foi também possível devido à situação financeira do município, que lhe permitiu avançar com a obra. Este projeto é, como disse a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, na inauguração, um pretexto para Arouca fazer coesão - com o país e o mundo, completo - e para arouquenses conhecerem, de outras formas, o seu património. Não obstante as críticas ao preço da travessia, importa destacar a falta de vontade para um turismo de massas (!) e, nesse sentido, sublinhe-se a consideração pela sustentabilidade, que, de resto, nos deve apaziguar bastante. Em todo o caso, não é a travessia da ponte que assume um preço elevado, foram os Passadiços do Paiva que sempre foram mais acessíveis do que o desejável para a sustentabilidade, promovendo, aí sim e sobretudo numa fase inicial, um turismo de massas. Nem tudo está feito, nem tudo falta fazer. O desenvolvimento de Arouca, nos últimos anos, aconteceu também pela capacidade de resiliência do município. Vem-me sempre à memória a ideia apontada por Pedro Nuno Santos, em 2017: Arouca não esperou por uma estrada para se desenvolver. Não esperou, nem espera. Querer a estrada - e bem - nunca foi motivo para o conformismo. E é essa falta de conformismo que permite continuar a desenvolver o concelho, potenciando a sua oferta diferenciadora e fazendo História. E, pois claro, emocionando também, que o orgulho da população local (e não só) tem sido bem visível por estes dias.
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