MAFALDA FERNANDES
 
A esplanada
 
OPINIÃO | As senhoras ficam-se pelo café curto, pelo descafeínado
 
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A esplanada é uma forma muito simpática e saudável que se nos oferece hoje por causa do vírus sars-cov-2, de permanecer em espaços públicos para tomar um drink qualquer, seja ele café ou não. O que se verifica é que a maior prevalência é o café e poucas são as imperiais ou os copos de alvarinho, apesar do calor. No inverno, cá pela antiga Vila de Cabeçais, que foi sede do extinto concelho de Santa Maria
de Fermedo, sai mais o copo médio de vinho do Porto, atestando, sem dúvida, o bom gosto dos moradores, pesem, embora, as fragilidades possíveis do aparelho digestivo. Isto para os homens. As senhoras, que são muitas a frequentar os cafés, logo ao princípio da manhã, ficam-se pelo café curto, pelo descafeinado, curto também, e pelo chamado garoto ou pingo directo.
A esplanada é para todos. Há sempre uma mesinha e uma cadeira e, se for preciso, um guarda-sol para quem chega à última hora, aí pelas 11 horas da manhã ou pelas 15 horas. Há o problema da provocação, às vezes, isto porque no meio da algaraviada geral, indiciadora de socialização, sai, em voz muito alta, um "Escariz vai engolir Cabeçais!". Não se responde e continua-se serenamente a fruir as amenidades da manhã e da tarde. Isto, porque a esplanada do Coffee-Bar da antiga Vila de Cabeçais é frequentada por clientes dos variadíssimos concelhos em redor. Até mesmo pelos vendedores de bugigangas, incluindo brinquedos, a quem se compra um ciclista miniatura, minúsculo, que parece mesmo uma pessoa de reduzidas dimensões a pedalar, a pedalar, provocando uma irrepreensível gargalhada nos adultos que, com aquilo, retomam involuntariamente a criança que não morreu dentro de si, apesar da idade, seja ela qual for.
Quanto aos palavrões ou pragas, como dizem os meninos, o lema é: os incomodados retiram-se. Às vezes, acontece. O que não quer dizer que a praga ou palavrão seja apanágio dos utentes que não apresentam "sangue azul", como se diz para distinguir os fidalgos. A respeito de fidalguias, parece-nos que todos, mas todos, vimos de lá, de uma forma ou doutra.
O Professor Leite de Vasconcelos é autor de numerosas investigações e trabalhos sobre heráldica que é a ciência das fidalguias e respectivas pedras de armas nobiliárquicas.
E a questão é que chegou ao nosso conhecimento a existência de um indivíduo que, a partir de certa altura, ficou escuro quase como um africano autóctone.
Devidamente tratado pela medicina, porque de uma doença grave se tratava, retomou o aspecto anterior característico da cor da sua tez.
No livro "Heráldica", sobre as fidalguias, há uma referência a um indivíduo escuro de uma determinada família cujo nome é exactamente o mesmo do indivíduo que referimos e que se curou. Simplesmente, entre os dois há 500 anos de distância em tempo. Pode parecer uma coincidência, mas assemelha-se muito mais a uma questão de genética. E, talvez seja por isso mesmo, a procura actual do "genoma".
No entanto, quem tiver gosto por estes assuntos deve visitar o Museu de Heráldica de Lamego, onde se encontra exposta, lavrada em granito, a maior parte das pedras de armas de Portugal. Lindíssimo. E lá estão os Pintos, com os pintos, os Coelhos com coelhinhos, os Azevedos, os Fonsecas, etc, etc, que são os nomes dos nossos antepassados.
Agora, pela A24, que é uma auto-estrada nos cumes das montanhas, a seguir a Castro Daire, por Alvarenga, é um tirinho.
 
Arouca

Domingo, 05 de Dezembro de 2021

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