IVO BRANDÃO
 
Os novos autarcas e o monstro
 
OPINIÃO | É, portanto, neste contexto de ruptura iminente que tomam posse
 
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Hoje, quando qualquer um de nós procura abastecer o seu depósito de combustível, está, na realidade, a pagar 65% de impostos, e só o restante de matéria-prima. Hoje, quando qualquer um de nós paga a sua factura de energia, está a entregar metade do valor ao Estado, em impostos, ficando a outra metade para os custos do serviço, propriamente dito.
Por outro lado, e olhando a realidade económica do lado dos empreendedores, que procuram criar emprego, contas redondas, para um posto de trabalho criado, com um salário de 600 euros, o empreendedor terá de conseguir ter cerca de 1200 euros, para que possa pagar esse salário e dispor do
restante para os encargos com o Estado e demais entidades. Estas são apenas três pinceladas de realidade, numa altura em que os novos órgãos autárquicos tomam posse.
O preço do combustível ou da energia, a carga fiscal e os compromissos sociais das empresas são temas em relação aos quais as autarquias nada podem fazer. Grande parte delas, remetidas a um isolamento no interior, de facto ou forçado pela forma como os políticos nacionais olham para o país, lutam com problemas bem maiores, apesar de parecerem, aos olhos de Lisboa, insignificantes. E, como se isso não bastasse, vão acabar por ser as autarquias a lidar, em primeira linha, com o colapso do sistema produtivo.
Fruto do aumento dos preços da energia e dos combustíveis, muitos empreendedores começam a não ter
forma de atender a esses encargos, quando não conseguem imputar esses custos de contexto ao preço final dos seus produtos ou serviços. As Câmaras Municipais vão ser, sem dúvida, as primeiras portas a abrir-se quando patrões e trabalhadores não puderem sê-lo.
É, portanto, neste contexto de ruptura iminente que os novos autarcas tomam posse, rapidamente percebendo que nem tudo serão rosas no rumo que traçaram para concretizarem os projectos, mais ou menos ambiciosos, que traziam debaixo do braço. Na realidade, estes novos autarcas serão
chamados a fazerem muito mais do que aquilo que poderiam estar à espera. Terão, ainda, que gerir a pandemia. Terão, agora, que gerir esta erupção do sistema produtivo. Terão de assegurar a gestão corrente da coisa pública, o que, só por si, não é coisa pouca. E terão, também, de pôr em andamento
as acções a que se propuseram. Terão, sobretudo, e em muitos destes casos, de se substituir ao Governo, que teima em desresponsabilizar-se ou, pior, a delegar competências sem as respectivas verbas. Quando o Ministro do Ambiente nos diz (e repete) que o preço dos combustíveis é fruto do mercado livre, e que o Governo não pode fazer nada, omitindo, deliberadamente, a questão fiscal, estamos conversados.
A política de proximidade, que, nas últimas eleições, mobilizou uma boa quantidade de cidadãos independentes, ao ponto de transformá-los na quarta força política nacional, ainda suscita (e ainda bem) curiosidade e vontade em muitos de nós. Mas, fruto destes contextos, e de outras pinceladas que poderíamos dar, tende a transformar-se em algo inglório. Porque o Governo prefere ir jogando ao esconde-esconde. Porque os fóruns que poderiam funcionar como plataformas solidárias, como as comunidades inter-municipais ou as áreas metropolitanas, acabam por transformar-se em espaços de uma diplomacia férrea de cada um por si e para si. E porque, no final, o talão da conta acaba sempre por ser entregue ao cidadão comum. Que no combustível que gasta para deslocar-se para o trabalho, na luz que paga para poder regressar a casa e à família no final do dia, ou no excedente que tem de produzir para pagar os impostos sobre os salários dos seus funcionários, continua a engordar o monstro. Um monstro que não precisa de amigos. Precisa, sim, de ir ao ginásio, para um regime apertado, orientado por um bom treinador pessoal. Em breve, seremos chamados a falar sobre essas opções.
 
Arouca

Domingo, 05 de Dezembro de 2021

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