ARMANDO ZOLA
 
Pandemia e economia
 
OPINIÃO | É ilusório pensar-se que o problema maior da economia reside nas restrições impostas
 
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O tema do título merecia ponderada reflexão antes de se abordar por escrito. Há, porém, ocasiões em que o tempo, por escasso, o não consente. Esta é uma delas.
"Há vida para além da pandemia", disse, recentemente, o Presidente da República. Sim, há, para aqueles que lhe sobrevivam, mas não para os milhões que lhe não resistiram e para aqueles que continuam a não lhe resistir. Por isso, a expressão, neste contexto de decesso desses milhões e de dor dos muitos mais milhões que os choram e, para sempre, os perderam, na generalidade dos casos, sem um último adeus, um último afago, sequer um último olhar, suportando amargurados um presente de luto que se não completa, nem finda, para todos esses, a expressão só poderá haver-se, no mínimo, como de menos bom gosto.
Em 25 de Abril de 2003, foi proferida, em circunstâncias muito diferentes, expressão formalmente semelhante, se bem que com conteúdo distinto, pelo então também Presidente da República, Jorge Sampaio. "Há mais vida para além do orçamento", disse então Sampaio. Esta frase haveria de marcar profundamente, daí em diante, toda a acção do efémero Governo da altura, presidido por Durão Barroso, e, sobretudo, a do seu Ministério das Finanças, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite.
Pretendeu Marcelo Rebelo de Sousa, com frase idêntica, adaptada às circunstâncias do actual momento, enviar o mesmo forte recado e marcar tão profundamente, no tempo presente, a acção do Governo de António Costa, como fez Sampaio com o de Durão Barroso?
As expressões do Presidente da República, semanas antes, de que, com ele, não haveria mais confinamento e de, na sequência, em resposta ao esclarecimento de António Costa, no sentido de que ninguém poderia garantir as medidas a tomar, ou a não tomar, no futuro, ter enfatizado que quem nomeia o Primeiro-Ministro é o Presidente da República, e não contrário, parecem não deixar dúvidas de que aquela infeliz frase de Marcelo Rebelo de Sousa, algumas vezes por ele repetida, pretendeu ser bem mais do que mera figura de retórica.
A verdade é que, se agora, como disse o ex-Presidente Jorge Sampaio, em relação ao orçamento no tempo de Durão Barroso, há economia para além da pandemia, certo é que a pandemia, como ameaçam os tempos que correm, se descuidada, será o mais forte factor de destruição da mesma economia.
Se a pandemia alastra, os doentes graves (desconhece-se ainda com que sequelas) se multiplicam e as mortes crescem, o medo voltará mais forte, as pessoas recolhem-se, as fonteiras fecham-se, os portugueses não saem, os turistas não entram, as exportações diminuem, os estabelecimentos não vendem, a economia soçobra. É ilusório pensar-se que o problema maior da economia reside nas restrições impostas por causa da pandemia, ainda que, por vezes, pouco razoáveis, inadequadas
e inoportunas. Esse, o problema maior da economia, neste momento, é a própria pandemia, que, também por isso, urge combater e neutralizar.
Por isso também, tenha-se todo o cuidado com o que se propala e com as mensagens, apregoando facilidades, que se transmitem! Sim, haverá economia para além da pandemia, mas não se descuide esta, para que, além de tudo o mais, se não destrua aquela. É essa uma responsabilidade de cada um de
nós, mas ainda mais daqueles que têm a obrigação de a todos darem o exemplo. 2021-07-29
 
Arouca

Domingo, 26 de Setembro de 2021

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