CARLOS BARBOSA
 
O cheiro da fé
 
OPINIÃO | Por mim continuarei a acreditar
 
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Com alguma frequência revisito os ensinamentos dos padres Salesianos que na minha adolescência acompanharam e influenciaram o meu crescimento. Sempre que visito o Convento de Arouca sou perseguido por um reflexo condicionado que me transporta para períodos de muita alegria, saudosismo, mas também gratidão pelos valores que me foram passados e pelas histórias que agregavam esses valores.
Relembro que, consistentemente, passavam valores através de histórias e de metáforas que nos permitiam incorporá-los mais facilmente.
Um destes dias, em visita pelo exterior do convento relembrei-me de uma história que me parecia longínqua, mas à medida que se clarificava se tornava mais presente. Nessa história que me fora contada há pelo menos quatro décadas, um comerciante abastado fora visitado por três homens que se lamentavam não ter como alimentar os filhos pequenos, pedindo a boa ajuda do abastado comerciante. O comerciante acedeu ao pedido dos três homens oferecendo, a cada um deles, a possibilidade de escolherem um dos três sacos que tinha ao seu lado.
Assim, o primeiro que teve a possibilidade de escolher, optou por levar o saco cheio de pão, para logo seguir apressadamente, para junto da família.
O segundo escolheu o saco que estava cheio de farinha e desapareceu feliz com a oferenda. Ao terceiro homem, coube o único saco que restava. Um saco cheio de sementes. Feliz, pelo que lhe havia calhado em sorte, o homem diria:
-Estou feliz, pois, serei o único que não voltarei a necessitar desta ajuda.
Uma história que não pode ser mais ajustável à conjuntura que vivemos. É sabido que vivemos um período conturbado e que se revestirá de grandes desafios, provações e necessidade de exponenciarmos a nossa imaginação, trabalho e muita assertividade na escolha das melhores decisões.
Teremos de, como país, ser capazes de reforçar a nossa busca por um final magistral e não nos continuarmos a perpetuar como um país que ano após ano é ultrapassado pelos parceiros europeus que há pouco mais de uma década apresentavam níveis de desenvolvimento económico e social muito inferiores. Sim. Mas como o poderemos fazer?
Em primeiro teremos que ser capazes de não nos inebriarmos pelo pão que nos é dado sem a necessidade de trabalho acrescido, mas termos a capacidade de entender que o que nos fará não voltar de ajudas é conseguirmos investir nas sementes que irão perpetuar o nosso crescimento de forma sustentada. As ajudas comunitárias e a tal bazuca que se antevê, apenas nos matará a fome deste inverno. Se não a soubermos utilizar, se não a conseguirmos multiplicar pelo futuro e continuarmos a utilizar as tão peculiares estratégias oblíquas lusitanas, só conseguiremos perpetuar o mau lugar em que nos encontramos.
Mais uma vez não nos deixarmos seduzir pelo urgente desviando-nos do importante. Não permitir que o efémero se sobreponha ao duradouro. O duradouro estará sempre no cesto da educação e da valorização do cérebro humano. Esse cérebro que tem que ser visto como o maior ativo de um qualquer país.
Em segundo lugar importa, mais do que saber o que fazer ao que possuímos, é saber o que aquilo que possuímos fizera de nós. O que nos conduziu ao que aqui e agora temos. Insistir em ignorar fazer esse caminho é o mesmo que dar pontapés numa porta aberta.
Que haja o cérebro suficiente para fazer com que esses recursos que chegarão não sejam utilizados da mesma forma que eram utilizados os recursos que nos chegavam na época dos descobrimentos.
Nessa altura, as ruas estavam impregnadas por cheiros nauseabundos motivadas pela inexistência de saneamentos e assim, sempre que um senhor abastado se deslocava por Lisboa, fazia-se acompanhar por um escravo que à frente espalhava perfume para que o seu amo não se confrontasse com tal odor, em vez de tudo fazer para que esse cheiro desaparecesse de vez. O que vai parecendo é que apenas mudou o cheiro, pois o povo é o mesmo! Bem, será que podemos fazer depender a nossa esperança daquilo que não há esperança de que possa acontecer?
Por mim continuarei a acreditar. Quando acreditamos verdadeiramente, não nos importa se acreditamos alicerçados em evidências ou em fé! 2021-07-29
 
Arouca

Domingo, 26 de Setembro de 2021

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