Cada dia que passa, mais se torna evidente a falta de valores da parte de muitos que abandonam a sua essência para se tornarem parte de um rebanho cada vez maior. Os pastores da sociedade de hoje não deixam o seu rebanho à solta na serra, mas confinam-no em cercas cada vez mais vigiadas e onde as ovelhas negras são olhadas com desdém. Numa sociedade onde o medo de pensar por si mesmo se está a tornar uma realidade, subjugados ao que ouvem pelos "fazedores de opinião", vem agora também o medo de se calarem perante as injustiças de que são alvo. Quando alguém tem algum tipo de poder sobre alguém, comete abusos que por vezes deixam as vítimas revoltadas, mas que não se manifestam com medo de represálias. Casos há em que pessoas que estão a ser avaliadas, sofrem danos morais e materiais, com um desplante tal porque os avaliadores sabem de antemão que as pessoas não se manifestarão porque está em causa o seu futuro e não querem ser "pegados de ponta". Está situação é cada vez mais transversal a toda a sociedade. São por vezes os próprios dirigentes nacionais a oprimirem a forma de estar e de pensar dos cidadãos. Quando deveria a sociedade estar mais aberta a todas as formas de pensar, eis que estamos a caminhar completamente no sentido oposto, levando a que cada vez mais as convicções pessoais se percam. A crise de convicções é cada vez mais evidente. Quantos não "viram" a sua forma de pensar na esperança de conseguir um "tacho" aqui ou ali? Ou para ganharem mais protagonismo social, abandonam aquilo que sempre foi a sua forma de pensar? Aqueles que ainda resistem ficam orgulhosamente sós... mas esses, certamente, terão um sono mais repousante e viverão com mais confiança em si mesmo. Não é o seguidismo que muda as sociedades. O que a muda são as diferentes formas de pensar. Quanto mais nos aproximarmos do pensamento único, mais retrocesso se verificará. Ultimamente têm acontecido coisas que nos levam ao tempo do PREC, mas a única revolução que precisamos é a de pensamento para não nos deixarmos cair numa ditadura onde são proibidas as convicções individuais. Afirmar as nossas convicções individuais é um dever para promover uma sociedade livre, justa e onde nunca terá lugar o receio por se ser quem é! Cabe a cada um fazer a sua parte para que os nossos filhos não se tornem ovelhas numa sociedade cada vez mais global. E como diria o Estebes, saudosa personagem de Herman José: "Bamos em frente mas combictamente!".