|
JOSÉ CARLOS SILVA
|
|
|
| |
|
Sentida homenagem
|
| |
|
OPINIÃO | O sucesso e a longevidade do jornal também se deve muito ao Sr. Manuel
|
| |
Uma das figuras mais emblemáticas e prestigiadas do concelho de Arouca morreu no último dia de Abril, aos 94 anos. O senhor Manuel Sousa, popularmente conhecido por Manuel Cavadinha, fundador dos estabelecimentos com o mesmo nome, era um empreendedor nato, que aliava a uma profunda sensibilidade social à sua Arouca e às suas múltiplas instituições. Um Homem dotado de um forte espírito de solidariedade social, que escasseia nos nossos dias. Um Exemplo a seguir pelas novas gerações! Desde a primeira hora apoiou o RODA VIVA sem reservas, entusiasmando-nos sempre a seguir em frente. Gostava imenso de ler e conversar. Falamos e aprendemos muito com o Senhor Manuel, a quem temos uma dívida de gratidão. O sucesso e a longevidade do jornal também se deve muito a ele. MUITO OBRIGADO SENHOR MANUEL CAVADINHA.
•••
Após vários adiamentos, finalmente foi inaugurada, com pompa e circunstância, a ponte suspensa, baptizada "516 Arouca" [tem 516 metros de extensão], apesar de algumas vozes ainda aconselharem uma abertura mais tardia, uma vez que estamos a sair, com cautelas redobradas, de um confinamento profiláctico a que o país foi sujeito no primeiro trimestre do ano. Consumada a inauguração, surgiram logo de imediato duas "polémicas" associadas àquela monumental estrutura de betão e gradil metálico: a primeira, em relação ao "título" de maior ponte pedonal suspensa do mundo, pois surgiram nos dias seguintes, em vários órgãos de comunicação e nas redes sociais, informações de que esse título pertence a uma estrutura semelhante no distante Nepal; a segunda tem a ver com a alegada proliferação de "sites" falsos que promovem a ponte e "vendem" impressos para a sua passagem. A autarquia reagiu a ambas as situações, e com o apoio de uma agência de comunicação de Matosinhos, tem procurado promover, mas também suster e combater o fluxo noticioso hostil à nova "menina dos olhos" da edilidade. O arranque da nova coqueluche de Arouca foi feito com estrondo, falta saber, e só o futuro o dirá, quando os foguetes e a fanfarra passar, como vai ser feita a sua viabilização económica, manutenção técnica, segurança, etc, etc. Continuo a considerar que para além do nefasto impacto ambiental e visual provocado pela nova travessia no vale do Paiva, estamos perante um investimento avultadíssimo que vai ter custos operacionais muito onerosos para o erário municipal, e vai provocar muitas dores de cabeça aos futuros autarcas de Arouca!
•••
Depois da forte aposta do município no sector turístico na última década, o próximo executivo que sair das eleições autárquicas do último trimestre deste ano vai ter que virar a agulha para outras áreas a precisarem urgentemente de uma estratégia reformista para a próxima década: habitação, emprego, floresta e cultura, são quatro eixos fundamentais para a sustentabilidade económica e desenvolvimento social do nosso município. Mais do que programas extensos e palavrosos, os candidatos têm de apresentar ao eleitorado propostas concretas e quantificadas, porque os próximos tempos, pós-Covid, serão desafiantes e só municípios que tiverem uma estratégia bem definida, focada e com autarcas qualificados, irão conseguir ultrapassar os obstáculos que surgirão no caminho. Os tempos que se avizinham vão ser duros e exigir dos nossos governantes ambição, audácia e sensibilidade.
(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2021.05.13)
|
| |
|