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Perda de população em Arouca: O nosso pior “prémio”
 
OPINIÃO | Presidente do PSD concelhio aborda a quebra demográfica no território
 
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Nos últimos dias, muito se tem falado num estudo da DECO onde se concluiu que o concelho de Arouca é um dos dez com a fatura da água mais cara do país. É desolador verificar esta realidade num concelho com um Poder de Compra (IpC) bastante abaixo da média nacional e da maioria dos concelhos vizinhos, mas onde também é cobrada a taxa máxima de participação do IRS aos seus munícipes (5%). Confesso a minha dificuldade em qualificar estes dados, mas, perante a realidade espelhada pelos factos descritos, só posso acompanhar aquilo que, por certo, é o estado de espírito de quem é afetado por tudo isto: é escandaloso o preço que os arouquenses pagam por um bem essencial como a água e esta medalha já não sai da lapela de Margarida Belém, por mais comunicados que o município emita, que, aliás, nada acrescentam ao que todos os arouquenses haviam já reparado.
Mas o que também nos devia preocupar e fazer-nos pensar é a constante perda de população que o nosso concelho sofre, onde o preço da água e a taxa máxima de IRS são mais causa do que propriamente consequência. Ainda recentemente, no Jornal de Notícias, foi publicado um gráfico onde se demonstrava que a população da Área Metropolitana do Porto (AMP) estava a crescer, no entanto, quatro dos dezassete concelhos que a compõem não acompanhavam esse crescimento, sendo Arouca, desses dezassete concelhos, aquele que menos população consegue fixar. Pior do que isso, perde constantemente população desde 2001, pois a taxa de crescimento é negativa (-0,68%). Arouca perde um habitante a cada dois dias, sendo que a principal faixa etária onde essa perda ocorre é entre os 20 e os 39 anos, isto é, os mais jovens. Isto deveria levar-nos a uma reflexão profunda sobre o porquê de tal acontecer e quais as medidas activas que o município deveria tomar para inverter essa tendência. Ao invés disso, continuamos a assistir a uma "fuga para a frente" por parte de quem lidera as nossas políticas municipais, como podemos comprovar na última edição do Roda Viva, onde a presidente da Câmara Municipal Margarida Belém afirmou, com orgulho, que a presença do PS no poder autárquico em Arouca "tem representado, desde o primeiro momento, um projeto ímpar de desenvolvimento local, com melhoria de modo significativo da qualidade de vida de todos os arouquenses e que por todos é reconhecida, inclusive por quem aqui não vive, nomeadamente dos residentes em concelhos à nossa volta.". Ora, como podemos ser um território "com melhoria de modo significativo da qualidade de vida de todos os arouquenses", quando de 2001 até ao momento perdemos cerca de 4 mil residentes? Mais, como podemos ser um projecto "ímpar de desenvolvimento local", quando os nossos índices de riqueza e de poder de compra estão bastante abaixo das médias nacionais e da maioria dos concelhos vizinhos?
As perguntas têm que ter resposta e na política local o PSD tem-nas dado insistentemente. O preço da água e/ou a concessão com a "Águas do Norte" tem que ser imediatamente revisto! Urge uma via de ligação ao litoral desde o centro de Arouca, pelo que, ao invés de desesperadamente esperarmos pela variante, é hora de avançar com a requalificação da Estrada Nacional que liga o final da Variante a Escariz, com três zonas de ultrapassagem, como os vereadores do PSD apresentaram em agosto de 2018. É chegada a hora de acabar com a taxa máxima de participação variável no IRS. Temos que apoiar a agricultura e a floresta, reforçando tradições em que somos muito competentes, apoiando ainda mais a criação da Raça Arouquesa, os nossos produtos e os produtores locais. Temos que criar mais e melhores Ecocentros e requalificar de forma urgente as nossas Zonas Industriais, para que as empresas e os empresários tenham mais e melhores condições para laborar em Arouca e, assim, se criarem mais postos de trabalho. É necessária a resolução imediata do problema de estacionamento no centro de Arouca, onde os utilizadores e o comércio local sairão a ganhar. Temos que criar uma rede de transportes dentro do nosso concelho, para facilitar as deslocações dos nossos munícipes aos serviços, bem como, criar ligações mais rápidas às grandes cidades. Temos que criar condições para a construção poder avançar mais rapidamente, para podermos ter habitação a preços mais baixos e, dessa forma, dar condições para que os nossos jovens adquirirem aqui a sua primeira casa. Não podemos continuar com preços de "grande cidade", mas com rendimentos do interior, numa espécie de termos o "pior dos dois mundos" como diz o adágio popular. Apostar definitivamente no reforço de verbas para as Juntas de Freguesia para que o desenvolvimento do concelho não se limite apenas e só ao centro de Arouca. Temos que fazer isto e muito mais, urgentemente, para dessa forma catapultar Arouca e os arouquenses para os prémios que verdadeiramente interessam: melhor qualidade de vida, serviços básicos e mais dinheiro no bolso dos arouquenses.
Talvez depois da "ponte suspensa", que já vai em cerca de dois milhões e meio de euros de custo, os arouquenses possam começar a ver medidas concretas que melhorem a qualidade de vida da população. Vamos tarde, é certo, mas ainda a tempo de inverter essa tendência. Lá mais para o final do ano, não se esqueça de como estamos e de como queremos estar. Faça essa reflexão sobre o que queremos verdadeiramente para o nosso município. 2021-02-16
 
Arouca

Quarta, 24 de Fevereiro de 2021

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"A prazo relativamente curto se eliminará qualquer veleidade de concretizar a Regionalização Administrativa do País"

Armando Zola, antigo presidente da CMA

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