ARMANDO ZOLA
 
Pandemia, presidenciais e algo mais?
 
OPINIÃO | A prazo relativamente curto se eliminará qualquer veleidade de concretizar a Regionalização Administrativa do País
 
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De que falar? Da pandemia, é o que logo vem à mente agora que ela recrudesce, medonha como nunca, subjugando portugueses às dezenas de milhar, ceifando vidas diariamente às centenas. Porém, por entre a pandemia, há, tem de haver, vida a fluir e vida haverá para além dela. Daí que, sem abrandar nos cuidados e vigilância para a levar de vencida, não possamos desistir de viver, nem de intervir em momentos que tenhamos por cruciais e que na vida a cada passo se nos deparam.
Temos dentro de dias as eleições presidenciais. Vão decorrer em circunstâncias nunca por nós antes vividas, nem conhecidas. Há um candidato a presidente: Marcelo Rebelo de Sousa. Todos os outros têm objectivos compreensíveis, mas não o de, nesta pugna, alcançarem a Presidência. André Ventura tem o de crescer, crescer sempre, em votos, dizendo, para isso, o que largas franjas do eleitorado gosta de ouvir, libertando emoções reprimidas, despertando ódios recalcados contra pessoas e situações, alimentando falsas ilusões, garantindo com promessas vãs o "Céu" aos injustiçados, com tudo avolumando um contraditório caudal de esperança, ressentimento e rancor que, dia a dia, reforçado pelos incautos e funestamente manobrado por alguns, de passado bem conhecido, pode, se não contido pela clarividência da grande maioria, conduzir, como os catastróficos exemplos do último século nos mostram e o presente dos Estados Unidos nos adverte, à repetição de algumas das mais negras páginas da nossa história.
Não votei antes em Marcelo Rebelo de Sousa. E não votarei agora também. Ponderaria fazê-lo se admitisse que o meu voto poderia ser necessário para o eleger. Como não admito isso, não pondero. Nas difíceis circunstâncias que pontuaram o mandato que finda e nas que imediatamente se avizinham, Marcelo terá sido, e será, o que mais adequado perfil evidenciou, e evidencia, para lhes fazer face. Todavia, para nosso mal, foi, em meu entendimento, excessivo em muitos momentos e situações, silenciou ou não esteve em tantas outras em que devia intervir e foi cúmplice, ou mesmo principal agente, do incumprimento de deveres legais
fundamentais que lhe incumbia cumprir. Por isso, votarei em quem, não, obviamente, em André Ventura, mesmo não vencendo, possa prosseguir na denúncia desses excessos, silêncios e incumprimentos do actual e mais que provável futuro Presidente.
Reside um desses incumprimentos do Presidente, já o escrevi aqui, na violação, e não apenas por omissão, da Constituição, quando só, ou em conjugação com o nosso Primeiro-Ministro, obstaculiza ou protela sem prazo a instituição em concreto das Regiões Administrativas. A recente panaceia da eleição indirecta dos presidentes das CCDR, com o argumento de que quem lhes (a eles, Senhores Presidente e Primeiro-Ministro) deu o poder não está ainda capaz de decidir sobre aquela instituição em concreto, para além de menorizar quem detém a soberania nacional, não me parece que seja mais do que distribuir alguns poderes formais por autarquias ou instituições (CIM - Comunidades Intermunicipais, outra criação, esta de Miguel Relvas, também contra as Regiões), os quais, nelas radicados, delas jamais, ou muito dificilmente, sairão. Custa-me a crer que Presidente e Primeiro-Ministro não tenham perfeita noção disso.
Assim, a prazo relativamente curto, oxalá me engane, se eliminará qualquer veleidade de concretizar a Regionalização Administrativa do País e, por então surgir como excrescência, se eliminará igualmente o imperativo constitucional da sua instituição. E assim também, acabando os actuais poderes por "mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma", em detrimento de todo o Portugal que vive ou trabalha longe da capital, a sempre encantadora e amada Lisboa permanecerá cabeça de um País enormemente macrocéfalo, de tronco e membros sempre, em muitos casos cada vez mais, raquíticos e definhados.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal em 2021.01.14)

 
Arouca

Quarta, 24 de Fevereiro de 2021

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A Frase...

"A prazo relativamente curto se eliminará qualquer veleidade de concretizar a Regionalização Administrativa do País"

Armando Zola, antigo presidente da CMA

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