TEIXEIRA COELHO
 
O último capítulo de uma história nada exemplar
 
OPINIÃO | Divulgar episódios como estes é prestar um serviço à comunidade
 
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Ele entendia que "a missa, após a comunhão, acabava depressa demais". Então, solicitou-me colaboração para promover um momento de oração e silêncio depois da comunhão nas missas do Domingo. Colaborei, assim a seu pedido, na animação litúrgica da missa dominical durante uns meses.
Em dado momento, um episódio triste ditou o fim desta colaboração. Foi o caso de chegar ao meu conhecimento que um "colaborador de sacristia" na paróquia tinha agredido com rara violência a esposa. Um crime público numa terra de vizinhos que vivem paredes meias. Vim ainda a saber que, após a cena em que violentamente agredira a esposa "a ponto de a pôr na rua/no caminho a altas horas da noite com a roupa numa saca", o tal colaborador percorrera (presidindo?) na Páscoa seguinte a freguesia com a comitiva do Compasso.
Ao abordar o assunto com o clérigo, como se impunha, fui surpreendido com uma reacção de todo inesperada e inimaginável:
- "...Isso é lá com eles... Entre marido e mulher não metas a colher...".
Mas não acabou aqui a história. Em dada altura - vá-se lá saber porquê -, o referido colaborador distinguiu-me, inopinadamente, com um chorrilho de insultos em plena sacristia, momentos antes do início da celebração da missa, na presença de testemunhas tão qualificadas como o antigo presidente da Junta da Freguesia, uma filha e um outro paroquiano, que permaneceram estranhamente entupidos, sem
tugir nem mugir, como se nada tivessem a ver com o que estava a acontecer. Há silêncios cúmplices.
Claro que abandonei acto contínuo o local e comuniquei ao clérigo o sucedido com os pormenores indispensáveis, tendo ele proclamado que "não tinha assunto nenhum a tratar comigo". Foi coerente.
Terminou assim a história? Não.
É que houve visita do bispo passado algum tempo. Foi abordada a ocorrência bem como a colaboração que eu prestara até aí ao pároco. Não sei o que o bispo disse sobre o assunto. Mas o que ele disse foi assim entendido por um paroquiano que ingenuamente mo transmitiu: "Ele (eu próprio) abandonou a igreja... nem sequer devia aproximar-se do altar para ler...".
Entendo que divulgar episódios como estes é prestar um serviço à comunidade. Ocorreu-me fazê-lo porque, não sabendo o que o bispo disse, sei o que ele não disse e sei o que deveria ter dito. É que, se tivesse dito o que deveria dizer, nenhum paroquiano o teria entendido como o entendeu o paroquiano que refiro acima. E bastaria ter presente uma orientação pastoral mais consentânea com o espírito da Igreja do Vaticano II. Espírito da Igreja e orientação que o Papa Francisco se esforça por recuperar e tem vindo a propor.
Com efeito, o Papa Francisco aprovou um documento da Congregação do Clero, tecnicamente chamado "rescrito", que prescreve que "a autoridade eclesiástica se empenhe em facilitar que o presbítero dispensado das obrigações inerentes ao estado eclesiástico preste serviços úteis à comunidade cristã, colocando ao serviço dela os dons e talentos recebidos de Deus" (n.5). Esse documento marca uma mudança absoluta e radical para a actuação pastoral da igreja e dos bispos, claro. Numa linguagem nova e num tom acolhedor e compreensivo permite aos presbíteros dispensados permanecerem activos pastoralmente. "O clérigo dispensado pode exercer ofícios que não exijam a Ordem Sagrada" (n5 a).
O espírito conciliar decorrente do Vaticano II teria permitido ao bispo elucidar convenientemente, sem lugar para confusões ou ideias erradas, também o paroquiano acima referido.
O que não aconteceu. Lamentavelmente.
 
Arouca

Sábado, 27 de Fevereiro de 2021

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