MAFALDA FERNANDES
 
A Senhora da Abelheira
 
OPINIÃO | A romaria inicia-se com uma majestosa procissão de velas
 
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O lugar da Abelheira pertence à freguesia de Escariz e possui, no seu centro, um aprazível monte onde existe uma pequena capela dedicada ao culto de Nossa Senhora da Conceição. Esta capelinha votiva foi erigida por vontade da população de Escariz, com a anuência da Igreja, depois de um ano de polémica e divisão a partir das afirmações de um dos seus habitantes, de seu nome Manuel Francisco Oliveira,
a quem puseram a denominação de "Salvé-Rainha" por motivo das suas lembranças místicas.
"Salvé-Rainha" prometeu à Nossa Senhora, em sonhos, que lhe construiria uma capela. E quis passar dos sonhos aos actos, provocou divisões na população. Aqueles que eram a favor dos sonhos do "Salvé-Rainha" viram acatadas as suas pretensões e a sua devoção à Nossa Senhora da Conceição, com a autorização da Igreja, na construção da capelinha, lá no alto do ponto mais alto da Abelheira, donde se vê o mar e a Ria de Aveiro, a partir de um horizonte fabuloso. Possui o Santuário que foi erigido nos anos 30 do século passado, um escadório que se inicia junto à capela e desce até ao nível do lugar e das suas habitações.
A Nossa Senhora da Abelheira é venerada, em romaria, no último fim de semana de Agosto de cada ano. A romaria inicia-se com uma majestosa procissão de velas que sai da Igreja matriz de Escariz, no lugar do Cruzeiro, até à capelinha de Nossa Senhora da Abelheira, o que corresponde, mais coisa menos coisa, a dois quilómetros de percurso, pela estrada 326, que os devotos se encarregam de iluminar com pequenas lâmpadas em todo o trajecto.
A história da lenda da Capela da Abelheira e o seu impacto na população de Escariz é pormenorizadamente desenvolvido na obra "Origem da Capela da Abelheira", da autoria do Professor Alfredo Gonçalves de Azevedo e do Reverendo Padre Domingos Azevedo Moreira, já falecidos.
O Professor Alfredo Gonçalves de Azevedo era natural e residente em Cabeçais, mas exerceu, durante décadas, o labor de professor de ensino primário em Escariz, na escola do Cruzeiro que, hoje, é um centro cultural. Era dotado de uma grande inclinação para a investigação do passado histórico e para isso munia-se de registos permanentes de datas que diziam respeito às famílias e aos acontecimentos,
nomeadamente religiosos, das localidades. Esta tendência deve-se ao facto de ser irmão de um sacerdote, o Reverendo Padre Alcino Gonçalves de Azevedo, já falecido, que foi pároco da Sé Catedral do Porto durante muitos anos. Possuía ainda familiarmente outros sacerdotes na sua ascendência
familiar, como por exemplo o seu avô que era pai do Zé do Abade, seu pai, pelo que com a graça que lhe era peculiar, ao Professor Azevedo, costumava afirmar que era produto de uma "geração sacrilega".
O que é certo é que, no âmbito dos temas eclesiásticos, inclusive património da Igreja, o Professor Alfredo Gonçalves de Azevedo deixou um precioso espólio que, ou já se perdeu, ou se encontra em vias de perder-se, devido às incríveis disposições testamentárias da sua viúva.
O Reverendo Padre Manuel da Silva Nogueira, que foi pároco de Escariz, tentou, sem sucesso, salvar uma preciosa obra sobre a fundação do Concelho de Fermedo.
 
Arouca

Sábado, 27 de Fevereiro de 2021

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