RUI VILAR
 
Orçamento e GOP: Muito aquém do que se exige para Arouca
 
OPINIÃO | A feira passou a realizar-se num parque de estacionamento
 
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Fruto da minha activa participação política, habituei-me desde novo a consultar e a trabalhar sobre os documentos fundamentais para a gestão da causa pública autárquica em Arouca, são eles o Orçamento anual e as Grandes Opções do Plano (GOP).
Nesses documentos encontram-se versadas as prioridades políticas e as estimativas orçamentais por áreas de actuação. Confesso que vejo com perplexidade o facto de o executivo socialista, uma vez mais, demonstrar uma total falta de cultura democrática e uma visão partidária sobre o que deve ser a real participação de todos os autarcas arouquenses nestes documentos fundamentais. A sua importância exige um verdadeiro exercício de participação e envolvimento de todos, acolhendo propostas em prol do interesse comum: o desenvolvimento do nosso concelho. Ao invés disso, o executivo camarário usa a oposição numa lógica de "cumprir calendário", elaborando documentos fundamentais numa lógica centralista com propostas individualistas - tão ao estilo da actual presidente da Câmara Municipal Margarida Belém. Quiçá, por esse facto, e apesar dos sucessivos executivos socialistas, este é para mim o documento mais pobre alguma vez apresentado. Tratam-se de documentos com um planeamento casuístico, arbitrário e sem qualquer visão estratégica transversal para o desenvolvimento do nosso concelho - Arouca.
Como disse anteriormente, a Câmara de Arouca tem vindo a ser dirigida por executivos socialistas. Mas este, agora em funções, mostra um total desnorte, com uma orientação ao sabor das opiniões momentâneas, baseado naquilo a que eu chamo de "política de rede social", onde o supérfluo e o efémero se impõem, num município ainda com índices económicos bastante abaixo dos concelhos vizinhos e onde tanta obra básica se encontra por fazer. Isso reflecte-se, infelizmente, no Orçamento para 2021 e nas GOP 2021-2024.
Reparo que, em três anos de governação, Margarida Belém não teve o rasgo de avançar com qualquer projecto fundamental para o nosso concelho, apenas se limitou a concluir projectos do seu antecessor, como são os casos da Ponte Suspensa, da Ciclovia, da reforma (antecipada) na Zona Poente da
Vila de Arouca e da frente da Escola da Boavista.
Somos um concelho que ainda não possui um auditório, que surge agora neste documento com um novo nome - "Casa da Cultura" - para nem ser bem um auditório nem uma remodelação da biblioteca. Onde uma Feira secular se realiza ainda numa estrada nacional - Cabeçais - e a da sede de concelho, que já teve local próprio, passou a realizar-se num parque de estacionamento. Onde ainda não existe um Pavilhão Multiusos Municipal. Onde o preço da água tem aumentado brutalmente (conforme venho alertando desde 2015!). Onde mais de metade do território não possui saneamento básico. Onde a capital do concelho continua sem uma ligação ao litoral e aos grandes centros urbanos. Onde não há uma rede eficaz de transportes públicos, para uma população envelhecida com dificuldades de mobilidade. Para não falar de uma nova "bandeira" para este ano de 2021, nomeada de Habitação, num "agora é que é" a escassos meses das próximas eleições autárquicas. Uma medida puramente populista utilizada como recurso para dizer que se está a lembrar dos novos casais e na sua fixação à "terra", a mesma autarquia que até hoje os tem esquecido. E muito mais haveria a dizer.
Para alavancar definitivamente o nosso concelho para o desenvolvimento, o progresso e a prosperidade que somos capazes, por todo o potencial natural e humano que possuímos, é preciso muito mais do que a mera política de propaganda, de "festa atrás de festa" e de gestão da imagem pessoal da senhora presidente. Considero ser importante dar continuidade à estratégia a longo prazo que nos é legada, mas a população local quer que haja rasgo, iniciativa, ideias novas para acabar com a estagnação que assistimos nos últimos três anos. Por isso reforço - estes são os piores documentos dos últimos anos.
Os arouquenses mereciam um pouco mais de esforço na realização do Orçamento e das Grandes Opções de Plano. Algo que se notasse de facto estratégia para um desenvolvimento futuro.
 
Arouca

Quinta, 28 de Janeiro de 2021

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A Frase...

"Os arouquenses estão preocupados com o preço da água, tal como eu estou"

Margarida Belém, presidente da CMA, em entrevista ao RV

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