ARMANDO ZOLA
 
Tenham juízo!
 
OPINIÃO | De máscara, a inspirar muito mais anidrido carbónico e menos oxigénio
 
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Eu sei que têm. Não podem é deixar de o manter nesta fase delicada da vida nacional.
Com juízo, numa altura em que vozes das mais qualificadas defendiam que era preciso continuar a apertar o cinto, e Passos Coelho, o então Primeiro-Ministro cessante, proclamava que, desapertando-o ao ritmo que se anunciava, aí vinha, inapelavelmente, o "diabo", conseguiram, contra todos os avisos e maus presságios, não apenas deixar de esmifrar mais os já exangues bolsos dos portugueses, como ainda aumentar os seus rendimentos, em especial os dos que os tinham mais baixos, e, por essa via, aumentar o consumo interno, dinamizar a economia, baixar o desemprego, equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida. Tudo isso, com juízo e, a meu ver, a melhor solução política e de governo que a vontade dos portugueses ditou nesta III República, iniciada com a vigência da actual Constituição.
Depois vieram novas eleições, os portugueses ditaram mais do mesmo, mas, entretanto, eclodiu a pandemia. Os portugueses fecharam-se, por meses, dentro de casa, grande parte da economia parou, o turismo, o mais sensível dos seus ramos, como era previsível, quase desapareceu, boa parte das indústrias, o comércio, os serviços, cerraram portas, as exportações caíram. De seguida, e agora, lentamente, tenta voltar-se a "um novo normal", completamente anormal: de máscara, a inspirar muito mais anidrido carbónico e menos oxigénio do que se deve, cada um desconfiado e a fugir do outro, todos com medo, justificado, de uma nova e mais generalizada vaga pandémica.
Como resultado de tudo isso, uma economia que voltou a afundar-se, um desemprego que, sobretudo entre os mais jovens, voltou a atingir os seus piores índices de agravamento, fronteiras a fecharem-se-nos, as contas públicas a desequilibrar, a dívida, de novo, a crescer, a fome a entrar em tantos lares ou a espalhar-se pelas ruas além, por onde se quedam os que nem lar têm. Mesmo assim, prosseguindo a política dos últimos anos, o Ministro das Finanças resiste a baixar rendimentos, defendendo até que os mais baixos (salário mínimo e, por certo, outros ainda menores) devem ter uma subida "com significado".
Foi uma política com este sentido que, mesmo em tempo de graves dificuldades, a vontade expressa dos portugueses ditou, havendo, por isso, que, no âmbito da correlação de forças que essa vontade determinou, tudo fazer para que, com estabilidade, esse sentido da política se mantenha e, na expectativa de melhores dias, se acentue.
Todavia, o Primeiro-Ministro, na antecâmara da discussão e votação do próximo Orçamento de Estado, anuncia que a sua reprovação implica a queda do Governo e novas eleições, Catarina Martins (BE) afirma que o Bloco não viabilizará esse Orçamento sem a garantia de que não haverá novas injecções de fundos para o Novo Banco e Jerónimo de Sousa (PC) mais cauteloso, apresenta, contudo, um caderno de encargos, sem indicar quais destes são condição para a viabilização do mesmo Orçamento.
Puxe cada qual o mais que puder para o seu lado, porque é da execução prática da síntese possível do essencial defendido por cada um que resultará um País sempre mais livre, porque, concretamente, mais democrático. Puxe cada um o que puder, mas de modo a que, custe o que custar, "a corda não parta".
Ninguém compreenderia, ninguém perdoaria, que, na situação, nunca antes vivida, tão anormal e tão crítica em que nos achamos, ainda lhe acrescentássemos uma grave crise política. Daí que, sendo um dos milhões de seus mandantes, me sinta no dever de exortar: TENHAM JUÍZO!

Post Scriptum: Com juizinho, o Dr. António Costa teria percebido que fragilizaria o Senhor Primeiro-Ministro ao integrar a Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2020.09.17)

 
Arouca

Quarta, 28 de Outubro de 2020

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